A cidade de Salvador intensificou nos últimos anos os esforços para preservar a integridade de comunidades vulneráveis a deslizamentos de terra. Desde 2015, a Prefeitura implantou 334 geomantas em encostas perigosas, somando-se a 287 estruturas de contenção já existentes. Com isso, a capital atingiu a marca de 621 áreas totalmente protegidas contra os efeitos das chuvas.
Essas mantas protetoras cobrem atualmente mais de 190 mil metros quadrados no território soteropolitano, extensão equivalente a aproximadamente 26 campos de futebol. Somente no bairro de Pirajá, 26 famílias passaram a viver com mais tranquilidade após a instalação do equipamento em agosto, na Travessa Sérgio de Oliveira. O investimento foi de cerca de 75 mil reais.
No bairro do Lobato, outras 37 famílias foram diretamente alcançadas pela iniciativa. Em julho, a estrutura foi instalada em dois trechos de uma encosta na Rua Santo Antônio, cobrindo 750 metros quadrados com recursos de 140 mil reais. O diretor-geral da Defesa Civil de Salvador, Adriano Silveira, destacou o valor da tecnologia.
"Com centenas de encostas já protegidas por essa solução em nossa cidade, conseguimos impermeabilizar o solo e evitar que a água das chuvas provoque deslizamentos. É uma proteção de baixo custo de manutenção, e trabalhamos com ela há mais de uma década. Porém, o maior benefício é a paz que proporciona aos moradores", afirmou.
A geomanta age como um revestimento que cobre o terreno íngreme, impedindo que a chuva atinja diretamente a terra. Com menos infiltração e erosão, o perigo de desmoronamentos diminui significativamente, especialmente durante temporais intensos.
Moradores que enfrentaram anos de insegurança relatam a mudança. No Lobato, Antônio Luiz Alves, de 73 anos, lembra que, durante o período chuvoso, vizinhos precisavam abandonar preventivamente suas residências e se abrigar em outro local. "A estrutura devolveu o sono a essa comunidade, que ficava acordada toda vez que a chuva era forte. Essas famílias tinham que deixar suas casas e ir para abrigos justamente por esse receio. Agora, não é mais preciso evacuar esse trecho", completou o diretor da Codesal.
Suelen Nascimento, de 27 anos, conhece bem essa realidade. Residente de Pirajá, ela conta que sua família chegou a trocar de endereço quatro vezes por causa do medo de desmoronamentos. "A gente não tinha segurança nenhuma por causa do risco de deslizamento. Tínhamos muito medo de que a encosta cedesse por completo e destruísse nossas casas. O mato tomava conta, a terra bloqueava a passagem e a gente não conseguia circular pela região", lembrou.
Embora tenha deixado o bairro em algum momento, Suelen decidiu voltar recentemente. Para ela, a sensação de proteção tornou muito mais fácil retomar a vida no local onde mantém laços afetivos. "Agora está muito melhor, está muito seguro. Voltei justamente por isso. Gosto do lugar, conheço o bairro. E, com essa segurança proporcionada pela geomanta, ficou muito mais fácil retornar", concluiu.