O especialista em energia Adriano Pires, que coordena as propostas do setor para a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, defendeu em 2018 uma reformulação na política de preços do gás de cozinha que resultaria em aumento expressivo para boa parte dos consumidores brasileiros. A sugestão, apresentada em artigo assinado pelo economista, propunha a eliminação do subsídio universal e a concentração de benefícios nas famílias em situação de vulnerabilidade econômica.
Na época da publicação, em outubro de 2018, o botijão de 13 quilos era comercializado por aproximadamente 65 reais. Pelos cálculos de Pires, a retirada do subsídio faria o valor saltar para 80 reais, representando um acréscimo de 15 reais por unidade. Quando corrigidos pela inflação até setembro de 2026, esses valores equivaleriam a cerca de 98 reais e 121 reais, respectivamente.
No texto batizado de "Robin Hood às avessas: vale gás como proposta para presidenciáveis", o economista argumentou que o desconto aplicado a todos os consumidores também beneficiava pessoas com maior poder aquisitivo. Como solução, ele sugeriu a criação de um programa de transferência direcionado exclusivamente às famílias de baixa renda.
Segundo o modelo esboçado por Pires, cerca de 8,7 milhões de famílias enquadradas na tarifa social de energia elétrica poderiam adquirir o botijão por apenas 40 reais. Para os demais cidadãos, o preço chegaria a 80 reais. O especialista estimou que a medida alcançaria aproximadamente 35 milhões de pessoas, com pagamentos a cada 45 dias — período compatível com o consumo típico de um botijão.
O proposta também previa que os consumidores fora do programa arcassem com o valor cheio, sem proteções contra variações de mercado. Pires sustentava que os preços deveriam acompanhar fatores como as cotações internacionais e oscilações cambiais, sendo determinados pelo mercado.
O economista ainda rejeitou a utilização de recursos da Petrobras para financiar o benefício, afirmando que a medida preservaria os interesses dos acionistas da estatal.
A figura de Pires ganha relevância diante de sua proximidade com a campanha de Bolsonaro. Além de liderar a elaboração de propostas para o setor energético, ele é cotado para assumir o Ministério de Minas e Energia ou a presidência da Petrobras, caso o senador saia vitorioso das eleições. Pires é sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura e exerceu o cargo de superintende-general da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
Defensor da liberalização dos preços dos combustíveis, o economista defendeu em agosto de 2026 a discussão sobre a capitalização da Petrobras, possibilidade que poderia modificar a estrutura de controle da empresa, embora não constasse do programa de governo de Bolsonaro.
Em 2019, Pires apoiou a extinção da diferença de preços do gás residencial praticada pela Petrobras. Já em 2025, voltou a criticar a manutenção de valores abaixo das referências de mercado, reiterando que a ajuda às famílias carentes deveria ocorrer por meio de subsídios focalizados.
Atualmente, o governo Lula mantém em vigor o programa Gás do Povo, iniciativa que oferece recarga gratuita de botijões a famílias de baixa renda e que, conforme dados recentes, beneficiou cerca de 15 milhões de lares em 2026.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1