Uma análise cuidadosa da administração atual de Salvador revela um padrão de comportamentos que remete diretamente aos piores momentos da história política do município. O atual ocupante do Palácio Thomé de Souza tem demonstrado, de forma repetida, uma postura que especialistas em gestão pública classificam como incompatível com o cargo que ocupa.
Quando assumir a prefeitura em 2021, Bruno Reis encontrou uma cidade com múltiplos desafios herdados de gestões anteriores. Contudo, em vez de apresentar soluções concretas para os problemas estruturais que afetam a população soteropolitana, a atual gestão optou por uma estratégia que alarmou educadores, pais de alunos e a sociedade civil organizada: a negação sistemática de realidades documentadas.
O caso mais recente envolve a alimentação escolar oferecida nas unidades da rede municipal. Professoras registraram em vídeo as condições das refeições servidas aos estudantes, incluindo a presença de torradas do cardápio oficial. Em vez de investigar as denúncias e buscar melhorias, a prefeitura preferiu classificá-las como desinformação, uma decisão que provocou indignação entre os profissionais da educação e as famílias afetadas.
Problemas semelhantes ocorrem em outras áreas. A construção da Escola do Curralinho, promessa reiterada da atual gestão, permanece abandonada há anos. Moradores e profissionais de comunicação registraram o estado de abandono do canteiro de obras, mas foram confrontados com a mesma narrativa de negação que cerca as críticas à merenda escolar.
Os dados oficiais confirmam a dimensão do problema educacional. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou que a capital baiana atende apenas 23% da demanda por vagas em creches. Alunos com transtorno do espectro autista enfrentam dificuldades crônicas para obter matrículas, enquanto unidades especializadas permanecem com obras paralisadas.
Em outro episódio emblemático, a prefeitura rescindiu um contrato de três milhões de reais para reconstrução de uma escola em Cajazeiras, após quase três anos sem conclusão. A decisão levantó suspeitas sobre a capacidade de planejamento e execução da administração municipal.
A postura negacionista também se manifesta em relação aos indicadores de qualidade de vida. Salvador ocupa a quarta posição entre as capitais brasileiras com piores índices de bem-estar, segundo levantamentos recentes. O transporte público sofreu mais de 80 interrupções em um único ano devido a problemas de segurança, afetando principalmente a população mais vulnerável que depende do sistema.
Mesmo diante desse cenário, o prefeito Bruno Reis surpreendeu ao anunciar a transferência de meio milhão de votos para um possível candidato em 2028. A promessa levantó dúvidas sobre as prioridades da gestão e alimentou especulações sobreudas pretensões políticas futuras.
Diferentemente de seus antecessores, Bruno Reis parece incorporar características de administrações anteriores consideradas problemáticas. Enquanto gestores como João Henrique, mesmo com todas as limitações reconhecidas, não chegaram a negar publicamente realidades documentadas, a atual gestão adota como estratégia a inversão da verdade, classificando evidências visuais e documentais como notícias falsas.
A repetição desse padrão sugere um padrão de conduta que vai além de erros isolados de gestão. Educadores e analistas políticos alertam que a negação sistemática de problemas documentados representa um risco para a democracia local, ao desrespeitar a capacidade da população de compreender a realidade que enfrenta diariamente.
As consequências dessa postura começam a se acumular. Professores organizam atos de protesto, moradores de diversos bairros denunciam abandono de escolas e obras inacabadas, e a confiança da população na administração municipal atinge níveis preocupantes. Resta saber se a gestão atual reconhecerá a necessidade de diálogo genuíno com a sociedade soteropolitana ou se continuará por um caminho que muitos classificam como insustentável.
Fonte: Farol da Bahia