O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil decidiu nesta quarta-feira reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando o indicador para 13,75% ao ano. A decisão unânime representa o quinto corte consecutivo implementado pelo órgão desde o mês de março, em linha com as previsões do mercado financeiro.
O movimento brasileiro contrasta com a postura adotada pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, que escolheu elevar os juros pela primeira vez desde julho de 2023. A instituição americana elevou sua taxa para a faixa entre 3,75% e 4%, interrompendo um ciclo de reduções iniciado no ano anterior.
Os sinais de desaceleração da economia nacional começam a se manifestar nos principais indicadores. O Produto Interno Bruto avançou apenas 0,5% no segundo trimestre de 2026, desempenho bem inferior ao crescimento de 1,1% registrado nos três primeiros meses do ano. O consumo das famílias também apresentou retração de 0,4% no período.
No mercado de trabalho, embora a taxa de desemprego siga próxima das mínimas históricas, dados do Ministério do Trabalho apontam para uma redução no ritmo de criação de empregos com carteira assinada. A pressão das taxas elevadas também afeta o setor de crédito, com a inadimplência da carteira total do Sistema Financeiro Nacional alcançando 4,9% em julho, o maior nível já registrado pelo Banco Central.
Por outro lado, os índices de preços mostram tendências favoráveis. O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto, após ter apresentado alta de 0,07% em julho. Esse cenário de arrefecimento inflacionário fundamentou a continuidade do ciclo de flexibilização monetária no país.
Segundo levantamento do Boletim Focus desta semana, os analistas projetam que o corte anunciado nesta quarta-feira seja o último de 2026. As projeções indicam uma retomada da redução dos juros em 2027, com a Selic encerrando o próximo ano em 12%.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1