Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes referentes a 2025 foram apresentados nesta quarta-feira, trazendo consigo uma aparente boa notícia para o cenário educacional brasileiro. A distância entre o desempenho dos adolescentes brasileiros de 15 anos e a média alcançada pelas nações mais desenvolvidas encolheu consideravelmente ao longo das últimas duas décadas, segundo os números revelados pelo levantamento.
Em leitura, a diferença caiu de 102 para 58 pontos. Já em matemática, o recuo foi de 131 para 92 pontos. Em ciências, o indicador passou de 113 para 77 pontos. O Ministério da Educação interpretou esses números como sinal de resiliência do sistema educacional nacional.
Contudo, uma análise mais aprofundada revela um cenário mais complexo. Os estudantes brasileiros mantiveram-se estáveis em comparação com o ciclo anterior: 408 pontos em compreensão lectora, 377 em matemática e 409 em ciências, todos abaixo da média internacional. O que ocorreu, na verdade, foi uma queda acentuada no desempenho dos países desenvolvidos, que registraram seu pior resultado desde o início das medições globais.
O recuo foi impulsionado especialmente pelo grupo dos 25% mais abastados, o que acabou reduzindo a desigualdade interna desses países e criando a impressão equivocada de que os mais vulneráveis teriam progredido. Esse fenômeno não é exclusividade brasileira: nas nações nórdicas, como Noruega e Finlândia, um quarto dos jovens já projeta ter menos escolaridade que seus genitores.
Entre as razões apontadas pelos especialistas para essa tendência mundial estão a leitura apressada, a exposição excessiva a dispositivos eletrônicos, a desmotivação com o processo de aprendizagem e o crescimento dos índices de evasão escolar.
Para o Brasil, os dados oferecem dois ensinamentos. De um lado, a manutenção dos resultados em meio à queda global indica que medidas como a proibição de celulares em 81% das instituições de ensino podem estar gerando impacto positivo, protegendo a concentração dos alunos. De outro, não se pode aceitar como vitória própria o fato de estar subindo porque os demais desceram.
O país ainda carrega um atraso de 4,6 anos letivos em matemática. O verdadeiro desafio não consiste em diminuir a diferença em relação aos líderes, mas sim em elevar efetivamente o nível de aprendizagem nacional. Para tanto, será indispensable investir em práticas de leitura aprofundada, valorização dos profissionais da educação e distribuição equitativa de oportunidades.
Fonte: A TARDE