A Netflix mais uma vez demonstra seu poder de alcance com um filme que não chega a duas horas de duração. O Jogo do Predador, lançado em 2026, atingiu a marca expressiva de 105,3 milhões de visualizações em apenas 24 dias disponíveis no catálogo. O desempenho coloca a produção entre os longas-metragens que mais rapidamente conquistaram esse volume de público na história da plataforma.
O longa dirigido pelo islandês Baltasar Kormákur acompanha Sasha, interpretada por Charlize Theron, uma alpinista que viaja pela Austrália tentando superar um trauma do passado. Durante sua jornada pela natureza selvagem, ela encontra Ben, personagem de Taron Egerton. O que parece ser um reencontro casual rapidamente revela uma intenção sinistra: Ben planeja caçar Sasha, transformando a aventura em uma questão de vida ou morte.
A protagonista precisa enfrentar não apenas os perigos naturais do ambiente hostil — rios caudalosos, florestas densas e penhascos traiçoeiros — mas também a ameaça constante do perseguidor. Lawrence Sher, cinematógrafo conhecido por seu trabalho em Coringa, utiliza as paisagens de New South Wales para criar um cenário visualmente marcante, onde a própria natureza se torna parte do conflito.
O roteiro de Jeremy Robbins segue a estrutura tradicional dos thrillers de sobrevivência. A história apresenta primeiro o conflito pessoal de Sasha antes de mergulhar na perseguição que domina a maior parte do filme. Some momentos da construção da protagonista e de seu trauma podem parecer apressados, e certas escolhas narrativas seguem caminhos já esperados do gênero.
No entanto, as sequências de ação compensam essas limitações. As cenas de fuga criam tensão genuína, e a direção explora o ambiente hostil para amplificar os obstáculos enfrentados por Sasha. A fotografia das terras australianas contribui para a imersão, transformando cenários naturais em componentes ativos da narrativa.
O embate entre os dois protagonistas concentra grande parte do interesse do público. Charlize Theron entrega uma performance segura nas cenas físicas, construindo uma heroína que alterna entre momentos de vulnerabilidade e determinação feroz. A atriz consegue dar profundidade emocional à luta pela sobrevivência de Sasha.
Taron Egerton, por sua vez, surpreende em um papel radicalmente diferente de seus trabalhos anteriores mais associados a figuras heroicas. O ator se entrega a um antagonista violento e imprevisível, criando um perseguidor que mantém a sensação de perigo mesmo quando a trama se torna mais previsível. A contraposição entre os dois registros é um dos pontos altos do longa.
O sucesso de O Jogo do Predador se intensificou na semana de 11 a 17 de maio, quando acumulou 10,6 milhões de visualizações adicionais e finalmente cruzou a barreira dos 100 milhões. Com isso, o filme se tornou o segundo longa de 2026 a alcançar essa marca, perdendo apenas para Dinheiro Suspeito, thriller estrelado por Matt Damon e Ben Affleck.
A recepção crítica, no entanto, foi mais cautelosa. O longa obteve 68% de aprovação no Rotten Tomatoes, indicando uma resposta positiva, porém dividida, entre os especialistas. Para integrar o seleto grupo do TOP 10 histórico de filmes da Netflix, a produção ainda precisaria superar os 138 milhões de visualizações obtidos por Donzela em seus primeiros 91 dias.
Para quem busca um entretenimento rápido sem o compromisso de uma sessão prolongada, O Jogo do Predador oferece perseguições intensas, cenários naturais impressionantes e o brilho de dois atores em registros opostos. Embora não revolutione o gênero e apresente algumas passagens previsíveis, o filme funciona como uma opção sólida para uma noite de streaming sem grandes exigências.
Fonte: A TARDE