Um casamento que se transforma em campo de batalha ideológico. Assim pode ser descrito O Aniversário, produção do Prime Video que conquista espaço entre os mais assistidos da plataforma e já ocupa a quinta colocação no TOP 10 de 2026.
Dirigido pelo polonês Jan Komasa, conhecido pelo trabalho em Rede de Ódio, o longa mergulha na vida de Ellen e Paul Taylor, interpretados por Diane Lane e Kyle Chandler. O casal reúne os quatro filhos para celebrar bodas de prata, em um encontro que deveria marcar a união de uma família aparentemente próspera e harmoniosa.
A chegada de Liz, namorada de Josh interpretada por Phoebe Dynevor, desestabiliza o evento. Ellen reconhece a jovem: Liz foi sua aluna na universidade e, no passado, demonstrava fascínio por teorias sobre concentração de poder. Anos depois, ela agora integra A Mudança, movimento político que ganha força nos Estados Unidos.
O que começa como uma proposta aparentemente moderada de superar divisões sociais revela consequências cada vez mais alarmantes. Ellen percebe antes de todos que há algo perturbador por trás das ideias de Liz, mas seus alertas encontram resistência. Josh enxerga na companheira não apenas amor, mas também oportunidades de reconhecimento e influência.
A produção acompanha cinco anos de transformações, mostrando como divergências políticas passam a afetar relações pessoais, escolhas profissionais e a própria estrutura familiar. A residência dos Taylor se torna cenário de conflitos crescentes, onde cada anniversário de casamento traz tensões mais difíceis de ignorar.
Dylan O’Brien dá vida a Josh, personagem que funciona como porta de entrada de A Mudança no núcleo familiar. Madeline Brewer, Zoey Deutch e Mckenna Grace completam o elenco como os demais filhos. A proximidade temática com O Conto da Aia não é coincidência: Brewer viveu Janine na série adaptação da obra de Margaret Atwood, enquanto Grace interpretou Esther Keyes.
A cinematografia irlandesa contribui para construir uma atmosfera progressivamente sufocante, com fotografia e som que intensificam o desconforto. O diretor opta por uma abordagem íntima, concentrando-se nos efeitos das mudanças sobre os personagens em vez de grandes discursos.
O filme registra 68% de aprovação da crítica e 78% do público no agregador Rotten Tomatoes. Embora apresente algumas fragilidades, como a velocidade excessiva na ascensão do movimento em determinados momentos, a premissa sustenta o suspense ao retratar o autoritarismo como processo gradual que avança enquanto as pessoas ainda se sentem protegidas pela rotina.
Fonte: A TARDE