A alta concentração de casos de doença falciforme na Bahia está diretamente relacionada à grande presença de pessoas negras no estado. A afirmação foi feita pela bioquímica e farmacêutica Marilda de Souza durante entrevista ao programa Metropole Saúde nesta terça-feira (3).
Segundo a especialista, a hemoglobina S, característica presente na doença falciforme, foi trazida ao Brasil durante o período da diáspora africana, quando milhões de africanos foram escravizados e transportados forçadamente para o país. A profissional lembrou que, na África Subsaariana, existe uma prevalência elevada tanto da doença falciforme quanto do gene da hemoglobina S.
Marilda explicou que a Bahia possui uma história muito forte de ligação com o continente africano, o que explica a elevada concentração de casos. "A Bahia é um estado onde temos uma grande maioria de indivíduos afrodescendentes e isso congrega com algumas doenças que são inerentes de indivíduos da população negra", afirmou.
Apesar de destacar a maior prevalência em pessoas negras, a bioquímica esclareceu que a diversidade genética da população baiana é muito grande, e por isso, indivíduos com fenótipos brancos também podem desenvolver a doença. "Isso não exclui que pessoas nesse fenótipo tenham a doença falciforme", completou.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1