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Família exige justiça um mês após tragédia que matou menino de 4 anos atropelado em rodovia baiana

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Fonte: A TARDE
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No próximo dia 15, completa exatamente um mês desde que o pequeno Callvin Marques Conceição, de apenas quatro anos de idade, perdeu a vida ao ser atropelado em frente à residência da família, no povoado Olhos d'Água, localizado na zona rural do município de Itanagra,no litoral norte da Bahia. O veículo que provocou a tragédia transitava em alta velocidade pela BA-504 quando perdeu o controle, derrapou e invadiu a pista oposta, atropelando a criança.

A prima da vítima, Daiane Marques dos Santos, de 23 anos, que trabalha como atendente em uma panificadora, revelou que a família permanece em busca de justiça. Em entrevista emocionada, a jovem explicou que, no momento do acidente, Callvin estava brincando com uma prima de 12 anos e com sua irmã caçula, de um ano e um mês. As duas adolescentes não foram atingidas pelo automóvel, porém a bebê sofreu uma fratura no crânio ao cair dos braços da irmã mais velha durante o impacto.

Segundo o advogado que representa a família, Bruno Alexandro Santos, a lesão na cabeça da bebê só foi identificada dias depois do acidente. "No dia do ocorrido, a fratura não foi percebida. Porém, a menina começou a apresentar febre e, ao ser levada ao médico, descobriu-se a lesão", detalhou o defensor. O exame de tomografia realizado em 19 de agosto revelou um hematoma subgaleal na região parietal direita e um extenso traço de fratura no osso parietal direito.

O automóvel envolvido no atropelamento era um Chevrolet Cruze de cor preta, com placas de Cachoeira Paulista, em São Paulo. O condutor foi identificado como sendo Yan Santana Araújo, de 28 anos, engenheiro civil. De acordo com Daiane, passados quase trinta dias, o motorista responsável pela morte de Callvin permanece em liberdade, sem qualquer tipo de punição.

A prima da vítima lamentou que, além da dor pela perda, a família ainda precisa enfrentar a ausência de respostas por parte das autoridades. "Antes mesmo da morte do meu primo, a comunidade já cobrava da Prefeitura de Itanagra a instalação de redutores de velocidade e outras estruturas de proteção ao longo da estrada. Já tivemos diversos casos de veículos invadindo residências em alta velocidade, perdendo o controle. O meu próprio imóvel já foi atingido", completou.

Os moradores do povoado, que existe há mais de três décadas, chegaram a organizar um abaixo-assinado com aproximadamente 150 assinaturas e buscaram apoio de deputados estaduais para pressionar os órgãos responsáveis. "Entramos em contato com os parlamentares, eles assinaram o documento, mas não houve nenhum retorno. Fizemos protestos e também não obtivemos resposta", informou Daiane.

O advogado Bruno Alexandro informou que diversas testemunhas já foram ouvidas pela polícia, incluindo os pais da criança morta. Ainda falta depor a adolescente que estava brincando com Callvin e a bebê. A defesa também aguarda os resultados de exames periciais, incluindo o laudo de alcoolemia realizado no condutor e a análise técnica do acidente, que deve verificar a velocidade desenvolvida pelo veículo.

Conforme relatos da família, após atropelar a criança, o motorista fugiu do local sem oferecer qualquer assistência. Em nota, o prefeito de Itanagra, Marcos Sarmento, afirmou ter recebido informações de que o condutor permaneceu no local e prestado socorro. "O que me informaram é que o motorista parou, auxiliou as vítimas e ficou no local. A polícia foi acionada, assim como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. A polícia acolheu o condutor para evitar um linchamento", declarou o gestor municipal.

O prefeito reconheceu, contudo, que não presenciou o acidente. "Não estava no local, não posso afirmar com certeza se isso corresponde à verdade", ponderou. Sobre a principal reivindicação da comunidade, Sarmento explicou que a Prefeitura não pode instalar redutores de velocidade unilateralmente, pois o trecho é de responsabilidade do governo estadual. "Colocar quebra-molas ali representa um grande risco, pois é uma estrada de alta velocidade que vem após uma curva. Se eu fizesse isso por conta própria e ocorresse um acidente, eu seria responsabilizado", avalia.

Sarmento revelou que enviou ofícios ao governo estadual solicitando melhorias na via, mas as respostas indicaram problemas relacionados à ocupação da área pelos moradores. "Acredito que quem elaborou o projeto daquela pista deveria ter tomado o cuidado de indenizar e realocar aquela comunidade. Mas são pessoas pobres, coitadas, não têm para onde ir", considerou.

O prefeito anunciou que a Prefeitura decidiu adotar medidas dentro de suas possibilidades, como a instalação de 24 placas de sinalização e um gradil de proteção. Segundo ele, as placas já estavam prontas e seriam instaladas no sábado, dia 12, com a participação do pai de Callvin. "A pedido do pai, a instalação foi adiada para que ele pudesse participar. Acho que é uma forma de prestar homenagem ao filho", justificou. Contudo, Daiane informou que a colocação não chegou a acontecer.

Em relação à retirada das famílias das margens da rodovia, o prefeito revelou que houve uma tentativa de remanejamento no ano passado, mas os moradores recusaram. "Eles seriam transferidos para outra área da cidade, mas não aceitaram", completou. Daiane explicou que a proposta era emergencial, sem garantias de moradia definitiva. "O prefeito disse que nos colocaria no programa de moradia popular, mas ainda não ficou pronto. Nos ofereceram uma casa de aluguel, mas teríamos que abandonar a propriedade que construímos com nosso esforço para ir para um imóvel temporário. E se ele sair do cargo? Como ficamos?", questionou.

A reportagen buscou contato com a Superintendência de Infraestrutura de Transportes da Bahia, órgão vinculado à Secretaria de Infraestrutura do estado, para verificar se existe algum processo em andamento para a instalação de redutores de velocidade e gradil na BA-504, mas não obteve retorno. A Polícia Civil também foi procurada para informar o andamento das investigações sobre o atropelamento que resultou na morte de Callvin e a possível lesão corporal contra a irmã da vítima, porém não houve resposta até o fechamento desta edição.

Fonte: A TARDE

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