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Flamengo contesta eliminação na Libertadores e exige investigação sobre escalação controversa

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Fonte: A TARDE
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O Estudiantes de La Plata assegurou sua vaga na grande decisão do principal torneio de clubes das Américas, mas a classificação ainda está longe de ser um assunto encerrado nos tribunais esportivos. O Flamengo, eliminado pela equipe argentina nas cobranças de pênaltis, no último dia 22, decidiu entrar com uma reclamação formal questionando a regularidade da participação do zagueiro Marcos Rojo na semifinal da Copa Libertadores de 2026.

A polêmica se arrastava desde antes da partida de volta no Maracanã. A Conmebol rejeitou a inscrição de Rojo por considerar que sua transferência do Racing para o Estudiantes foi concretizada após o fechamento da janela de registros no futebol argentino, que se encerrou no dia 2 de setembro. Mesmo assim, o clube de La Plata buscou apoio jurídico e conseguiu junto à Corte Arbitral do Esporte uma autorização provisória que permitiu a utilização do defensor durante o confronto contra o Rubro-Negro.

O Estudiantes precisou reforçar sua defesa após perder dois jogadores titulares para a primeira partida da semifinal. Para contratar Rojo, o clube investiu cerca de 500 mil dólares, o equivalente a 2,5 milhões de reais na cotação da época. O acordo também incluiu pagamentos adicionais condicionados ao desempenho: 250 mil dólares pela classificação à final e mais 450 mil dólares caso a equipe conquiste o título continental.

A questão central gira em torno das datas. Rojo seguiu atuando pelo Racing até o dia 27 de setembro, quando a janela de transferências argentina já estava fechada. A Associação de Futebol Argentino permitiu o registro do jogador nas competições domésticas como substituto de um colega contundido, mas essa autorização não foi reconhecida pela confederação sul-americana para efeitos da Libertadores.

Quando o Estudiantes solicitou a inclusão de Rojo na lista de atletas habilitados para a semifinal, a Conmebol consultou a Federação Internacional de Futebol e manteve a recusa. A entidade máxima do futebol esclareceu que as normas sobre períodos de inscrição devem ser respeitadas inclusive em transferências dentro do próprio país, sem exceções além das previstas explicitamente no regulamento.

A decisão do tribunal arbitral que liberou Rojo para jogar trouxe alívio momentâneo ao Estudiantes, mas não encerrou a controvérsia. O tribunal avaliou que impedir a participação do jogador poderia privar a equipe de uma oportunidade esportiva singular. Contudo, rejeitou um segundo pedido argentino que buscava garantia antecipada de que a escalação não resultaria em punições esportivas ou disciplinares. O documento deixou claro que a ausência dessa proteção não significa reconhecimento de que sanções seriam cabíveis.

Após a eliminação, o Flamengo publicou uma nota oficial esclarecendo sua posição no caso. O clube afirmou não ter iniciado o processo na Corte Arbitral do Esporte, mas informou que foi incluído como parte interessada pelo próprio Estudiantes em meados de outubro. Segundo a direção rubro-negra, foi enviada comunicação prévia ao tribunal e à agremiação argentina avisando que uma reclamação seria apresentada caso Rojo entrasse em campo.

O Rubro-Negro fundamenta sua estratégia jurídica em precedentes de outros clubes brasileiros que sofreram punições por escalações irregulares. Um dos casos mais citados aconteceu na Libertadores de 2018, quando o Santos foi penalizado pela utilização do meia Carlos Sánchez e teve o resultado da partida de ida alterado para uma derrota por 3 a 0. A Chapecoense também perdeu pontos por escalar um zagueiro sem condições regulamentares durante a fase de grupos.

O clube carioca sustenta que, caso a irregularidade de Rojo seja comprovada, deve ser aplicada a regra prevista no artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol, que determina a consideração de derrota por 3 a 0 para equipes responsáveis por escalações indevidas. A direção entende que essa norma poderia mudar o resultado do confronto de volta e garantir a classificação rubro-negra à final.

Do outro lado, o Estudiantes mantém posição tranquila quanto à manutenção de sua vaga. O presidente Juan Sebastián Verón, ex-jogador da seleção argentina, declarou em entrevista que o clube buscou orientação jurídica antes de recorrer e que o advogado Ariel Reck confirmou a existência de fundamentos para defender a inscrição do zagueiro. Verón afirmou confiar que a equipe não corre risco de perder o direito de disputar a final contra o Palmeiras.

O técnico do Flamengo, Leonardo Jardim, demonstrou otimismo contido sobre uma possível reversão do resultado. Após a vitória sobre o Atlético pelo Campeonato Brasileiro, o português inúmerou que acredita na possibilidade de classificação, mas preferiu não se aprofundar no assunto, remetendo a questão ao departamento jurídico do clube.

A definição do caso depende agora do julgamento definitivo da Corte Arbitral do Esporte. O tribunal precisa esclarecer se a inscrição de Rojo era regular e, em caso negativo, se devem ser aplicadas as punições esportivas previstas no regulamento da Conmebol. Por enquanto, o Estudiantes segue oficialmente classificado para a decisão marcada para o dia 28 de novembro em Montevidéu, enquanto o Flamengo aguarda uma resolução que pode alterar significativamente o destino de ambas as equipes na competição.

Fonte: A TARDE

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