Uma alternativa inovadora na luta contra o HIV está prestes a transformar o cenário da prevenção na América Latina e no Caribe. O lenacapavir, medicamento de aplicação semestral que combate o vírus, terá sua distribuição ampliada para 14 países da região por meio de um acordo coordenado pela Organização Pan-Americana da Saúde.
A iniciativa, selada em parceria com a Gilead Sciences, utilizará os Fundos Rotatórios Regionais para viabilizar o acesso ao tratamento. A organização pan-americana calcula que aproximadamente 140 mil novos casos de infecção pelo HIV sejam registrados anualmente em todo o continente, o que evidencia a urgência em ampliar o arsenal de ferramentas preventivas disponíveis.
Diferente dos métodos convencionais que demandam uso diário, o lenacapavir funciona como profilaxia pré-exposição injetável de longa duração. A substância é administrada a cada seis meses, bastando duas aplicações ao ano para garantir a proteção. A Organização Mundial da Saúde já havia endorsed a opção em julho de 2025, após estudos comprovarem sua elevada eficácia na redução do risco de contágio.
Além da nação sul-americana, fazem parte do grupo de beneficiários Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. A disponibilização efetiva, contudo, permanece condicionada à aprovação dos órgãos reguladores e à estruturação dos programas nacionais de cada território. O modelo complementa os acordos de licenciamento voluntário já em vigor, que cobrem 24 nações da região dentro de um pacto global envolvendo 120 países.
Como parte do movimento, a Gilead Sciences se comprometeu a compartilhar conhecimento técnico para viabilizar a fabricação nacional do medicamento. A entidade pan-americana informou que os detalhes do cronograma e dos mecanismos de transferência ainda estão sendo definidos, mas que o aumento da capacidade produtiva regional pode contribuir para uma oferta mais ampla e preços mais acessíveis no futuro.
A profilaxia pré-exposição é voltada a pessoas que não vivem com o vírus e desejam reduzir as chances de infecção. Ao oferecer uma opção que exige apenas duas doses anuais, o tratamento amplia as possibilidades para aqueles que enfrentam dificuldades com a toma diária de comprimidos ou com deslocamentos frequentes aos serviços de saúde. As diretrizes internacionais também recomendam a PrEP oral, o cabotegravir injetável e estratégias combinadas, como o uso de preservativos e a testagem regular.
Vale ressaltar que a chegada do medicamento aos sistemas públicos de saúde não garante disponibilidade imediata para toda a população. O processo envolve etapas como registro sanitário, elaboração de diretrizes clínicas, treinamento de equipes e planejamento logístico. A Opas promises oferecer assistência técnica aos governos para acelerar a avaliação de demandas, a criação de protocolos e o monitoramento da implementação.
Fonte: A TARDE