Em participation marcante no programa Canal Livre, veiculado pela emissora Band neste último domingo, 27, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou propostas contundentes para transformar o sistema de indicações ao Supremo Tribunal Federal. O chefe do Executivo argumentou que o modelo atual concentra demasiado poder nas mãos do presidente da República, tornando-se, em suas palavras, "vulnerável" a influências indevidas.
Como solução, o mandatário defendeu a criação de um órgão consultivo multipartidário, composto por entidades representativas da sociedade brasileira. A ideia inclui a participação da Ordem dos Advogados do Brasil, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, de associações de juristas, centrais sindicais e organizações do setor produtivo. Lula enfatizou que o novo mecanismo ajudaria a separar as indicações de vínculos políticos e ideológicos, além de garantir maior diversidade, com ênfase na representatividade feminina.
Questionado sobre as nomeações realizadas em seus mandatos anteriores, o presidente reconheceu que o principal aprendizado foi a importância de escolher magistrados com trajetórias jurídicas e públicas já consolidadas. Ele advertiu que indicar alguém que pretende construir reputação após assumir a vaga representa um risco significativo para a instituição.
Lula também lembrou que chegou a ser julgado e preso durante a gestão de ministros que ele próprio havia indicado, evidenciando que a posse na toga garante total autonomia aos magistrados, impedindo qualquer interferência do Executivo. O presidente cobrou investigações rigorosas sobre eventuais irregularidades envolvendo membros da Corte, mencionando nominalmente os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.
O mandatário ainda criticou a exposição midiática dos magistrados e as transmissões ao vivo das sessões do tribunal. Na visão dele, a atuação dos ministros deveria limitar-se aos processos e às decisões formais, evitando confrontos públicos televisionados.
Em outra frente, Lula defendeu a soberania tecnológica do Brasil para reduzir a dependência de plataformas desenvolvidas por potências como Estados Unidos e China. O presidente reiterou o compromisso de criar uma inteligência artificial treinada nativamente em língua portuguesa, com participação ativa de universidades e institutos federais na qualificação de profissionais.
O chefe do Executivo também anunciou a revisão do modelo de exportação de minerais críticos e terras raras, propondo o beneficiamento desses recursos em território nacional.
Ao abordar a devastação no Oriente Médio, Lula considerou que a comunidade internacional atravessa um grave colapso de governança, com um planeta "acéfalo" desprovido de referências para mediar a paz. Ele criticou duramente a perda de influência das instituições multilaterais, afirmando: "A ONU não está funcionando. O Trump age conforme seus interesses econômicos, e o Brasil tem resistido."
O presidente ainda denunciou o contraste entre os investimentos bilionários em armamentos e a falta de recursos para combater a fome e a pobreza extrema. A fala reforçou a postura da diplomacia brasileira, que busca posicionar o país como resistência ao unilateralismo e advocate pela reformulação urgente dos mecanismos de governança global.
Fonte: A TARDE