Uma sequência de gravações de áudio que começaram a circular amplamente em aplicativos de conversa mobilizou os meios políticos de Jacobina e do estado. As mensagens são atribuídas a Leopoldo Passos, que exerce atualmente o cargo de chefe de Gabinete na Prefeitura Municipal, além de ser esposo da prefeita Valdice Castro.
Nas conversas, Passos direciona ataques duros ao eleitorado local e a forças políticas de esquerda, classificando adversários de forma depreciativa. O ex-gestor também adiantou que pretende realizar uma ampla reformulação no quadro de funcionários comissionados e temporários da administração municipal depois do período eleitoral.
O político afirmou que sua legenda não necessita do apoio do governo estadual para manter o comando da cidade. "Nós conseguimos a vitória sem o governador. Aqui existe um grupo de agitationistas de esquerda com quem nunca me reuniria, pois somos patriotas e esse grupo precisa ser afastado", declarou.
Ao comentar sobre questões nacionais, Leopoldo manifestou-se contrário à permanência do presidente Lula na chefia do Executivo federal, sugerindo que o mandatário deveria ser "eliminado" do cenário político. Ele também descartou qualquer colaboração da gestão municipal com uma eventual tentativa de reeleição do chefe do governo federal.
O tom das declarações tornou-se ainda mais incisivo quando o assunto envolveu a relação com os moradores. O ex-gestor demonstrou desdém com possíveis repercussões eleitorais, utilizando expressão vulgar para referir-se aos votos da população.
Em relação à estrutura administrativa, Passos reconheceu ter acolhido um número excessivo de pessoas sem qualifications adequadas durante a última campanha e anunciou que vai promover exonerações em todos os níveis da máquina pública. "Serão desligados todos os cargos possíveis, do topo até a base", completou.
As polêmicas também incluem episódios de intimidação. Em 2024, o ex-administrador foi apontado como responsável por agressões verbais contra um servidor de carreira com mais de quarenta anos de serviços prestados ao município. A vítima, André de Anália, denunciou nas redes sociais o que classificou como perseguição e soberba por parte de Passos.
Há registro ainda de uma abordagem a uma cooperativa local, onde o ex-gestor teria cobrado a dispensa de um líder comunitário chamado Reginaldo. A represália teria sido motivada por comentários feitos pelo líder em programa de rádio da região.
O retorno de Leopoldo à cena política municipal acontece após vinte anos distante de cargos eletivos. Inelegível pelo menos até 2025 devido a uma condenação por irregularidades no uso de dinheiro público, ele tentou fechar um acordo de seiscentos mil reais com o Ministério Público para viabilizar sua candidatura, mas a justiça rejeitou o pedido.
A equipe de jornalismo buscou posicionamento de Leopoldo Passos, mas o ex-gestor ainda não enviou respostas aos questionamentos apresentados.
Fonte: A TARDE