A maioria dos brasileiros depende diariamente do automóvel para se locomover. Por isso, quando o motor se recusa a funcionar ao girar a chave ou pressionar o botão de partida, é natural que o condutor entre em estado de alerta máximo. Contudo, especialistas revelam que, na grande parte dos registros de falha na ignição, o culpado é mais simples do que parece: a bateria descarregada.
De acordo com mecânicos ouvidos pela reportagem, um dos erros mais frequentes consiste em deixar os faróis acesos após estacionar. Essa atitude aparentemente inofensiva faz com que o acumulador de energia vá perdendo sua carga aos poucos, até ficar completamente vazio. Quando isso ocorre, sistemas essenciais como o ar-condicionado, as luzes do painel e o próprio mecanismo de partida deixam de funcionar.
O problema não costuma dar sinais prévios. Diferentemente de outras avarias mecânicas, a descarga total da bateria acontece de forma repentina, sem avisos. Por isso, cabe ao próprio motorista perceber alguns indícios que podem sugerir que a peça está no fim: luzes do painel mais fracas ao tentar ligar o veículo, um som repetitivo de "tec-tec-tec" em vez do ronco normal do motor, relógio do painel desatualizado, rádio pedindo código de segurança ou vidros elétricos que perdem a função de abertura com um toque.
Para recuperar um acumulador descarregado, existe o procedimento de partida auxiliar, popularmente conhecida como "chupeta". O método exige cuidadoredobrado para evitar danos ao veículo. Primeiro, conecta-se o cabo vermelho ao polo positivo da bateria sem carga e depois ao polo positivo da bateria que está funcionando. Em seguida, o cabo preto deve ser ligado ao polo negativo da bateria boa e a outra ponta em uma superfície metálica sem pintura do motor do carro com problema, funcionando como aterramento. Nunca se deve conectar diretamente ao polo negativo da bateria descargada para evitar faíscas. Após isso, o motor do veículo doador deve ficar ligado por dois a três minutos antes de tentar a partida no outro automóvel. Assim que o motor pegar, os cabos devem ser removidos na ordem inversa.
Porém, especialistas alertam que não basta apenas fazer o carro funcionar novamente. Depois de realizar a partida auxiliar, o condutor precisa permitir que o acumulador absorva energia suficiente. O veículo deve rodar por no mínimo trinta a quarenta minutos, preferencialmente em estradas onde o motor mantenha rotação constante. Durante esse período, é fundamental desligar o ar-condicionado, o som em volume alto e o desembaçador para que toda a energia do alternador seja direcionada à bateria.
Em situações em que o acumulador ficou zerado por vários dias consecutivos, a partida auxiliar pode não apresentar resultado. Nesse cenário, torna-se necessário retirar a peça e levá-la a umautoelétrico para uma recarga lenta em bancada, processo que demanda entre seis e doze horas. Os valores cobrados por esse serviço variam de trinta a sessenta reais.
Como toda peça automotiva, a bateria possui tempo de vida útil médio de três a cinco anos, dependendo de fatores como clima da região, hábitos de condução e realização de manutenção preventiva. Quando chega a hora da substituição, o motorista deve adquirir uma unidade nova, cujos preços oscilam entre trezentos e cinquenta e novecentos reais conforme o modelo do veículo.
Para trocar a bateria com segurança, é essencial seguir uma sequência correta de passos. Antes de tudo, desligue o motor e retire a chave do contato. Após isso, localize a peça sob o capô e identifique os polos positivo e negativo. Com uma chave apropriada, solte primeiro o polo negativo, retire a proteção e puxe o cabo para cima. Repita o procedimento com o polo positivo, tomando cuidado para que ferramentas ou cabos não encostem em outras partes metálicas. Caso a bateria esteja fixada a um suporte, solte-o e remova a peça do veículo. Na instalação da bateria nova, posiciona-se a peça verificando se os polos ficam nos lados corretos, conecta-se primeiro o polo positivo e depois o negativo, e então aperta-se bem os conectores antes de ligar o motor. Se o procedimento parecer muito complexo, existem serviços especializados que oferecem entrega e instalação da nova peça com valores que variam conforme o modelo do automóvel.
Fonte: A TARDE