O Palácio do Planalto está de olho na votação que ocorre nesta terça-feira, 3, nos Estados Unidos. Em meio à deterioração das relações diplomáticas entre Brasília e Washington, assessores da administração petist
A eleição de meio de mandato, chamada de midterms, serve como termômetro da popularidade do mandatário Donald Trump. O sufrágio determinará a formação da Câmara Baixa, renovará assentos no Senado e escolherá chefes do Executivo estadual em 36 unidades federativas americanas.
Neste momento, a legenda de Trump domina ambas as casas do Legislativo. Uma possível vitória das oposições poderia enfraquecer a capacidade de ação do republicano e criar obstáculos para a aprovação de iniciativas da Casa Branca.
Fontes cercanas ao governo Lula avaliam que o resultado das urnas pode afetar diretamente os laços com o Brasil. A expectativa é que os diálogos bilaterais que estão pendentes continuem sem avanço até que o cenário político do país norte-americano se torne mais claro.
O entrave entre as duas nações teve início com a imposição de sobretaxas sobre mercadorias brasileiras e ganhou novos contornos com os desdobramentos envolvendo o parlamentar bolsonarista, que abandonou o Brasil e chegou a Miami.
A agenda de cooperação também foi afetada pelo calendário eleitoral nacional. Antes do certame norte-americano, a corrida presidencial brasileira absorveu a atenção de ambas as administrações, diante da possibilidade de alternância no poder.
Com a permanência de Lula no comando do Executivo, o que se espera em Brasília são sinais mais concretos sobre os rumos que Trump pretende adotar na política internacional. Enquanto não houver maior definição sobre o panorama político dos Estados Unidos, diversas negociações comerciais e diplomáticas seguem sem perspectiva de progresso.
Um dossiê em aberto é justamente a discussão sobre as taxas aplicadas aos produtos brasileiros. As conversas chegaram a ser reatadas em agosto, após um contato telefônico entre os mandatários, porém perderam impulso enquanto os governos aguardavam o desfecho das eleições brasileiras.
Segundo membros da gestão petist
, a ausência de movimentação da Casa Branca naquele período estava atrelada à indefinição sobre quem ocuparia a Presidência brasileira e, consequentemente, com quem os norte-americanos deveriam tratar.
A atual situação de impasse, contudo, não configura uma paralisação total dos vínculos entre as nações. A percepção é que deliberações com maior repercussão política podem ficar adiadas até que ambos os governos tenham maior nitidez sobre suas realidades internas.
Desempenho da oposição interessa ao Brasil
A composição do próximo Parlamento dos Estados Unidos também é acompanhada pela diplomacia brasileira por seus possíveis reflexos na agenda global. Se a legenda oposicionista conquistar uma ou ambas as casas legislativas, Trump pode encontrar maior resistência para aprovar projetos e ficará sujeito a uma fiscalização mais severa dos adversários.
No governo Lula, a análise é de que um Legislativo com maior representatividade oposicionista poderia criar possibilidades para pautas defendidas pelo mandatário brasileiro, especialmente nas conversas sobre preservação ambiental e regulamentação das grandes corporações de tecnologia.
Esses temas, prioritários para a administração petist
, encontram menos espaço na plataforma conservadora de Trump. Por essa razão, uma eventual alteração na distribuição de poder do Congresso norte-americano é interpretada em Brasília como uma possível chance de ampliar o diálogo em determinadas áreas.
Casos envolvendo o filho do presidente aumenta tensão
Outro acontecimento que elevou as dificuldades na relação entre os países foi a partida do Brasil. O senador desrespeitou uma determinação judicial na terça-feira anterior, 27, e chegou a Miami, na Flórida, após conseguir documentos de permanência nos Estados Unidos.
A administração brasileira também considera que o presumível apoio da Casa Branca à fuga do congressista constitui um fator de atrito. O caso representa mais um desafio para a diplomacia nacional, que busca evitar que a questão seja tratada sob viés político e prejudique ainda mais os vínculos com Washington.
A diretriz da gestão Lula é conduzir as negociações pela via institucional e impedir que a situação envolvendo o senador se torne mais um obstáculo para a retomada do diálogo com os Estados Unidos.
Fonte: A TARDE