Quando o tempo livre aparece, surge a dúvida: qual série escolher entre tantas opções disponíveis? Uma alternativa que merece destaque foi lançada em 2022 e traz uma premissa singular: uma jovem que desperta no corpo de pessoas diferentes ao longo de uma semana, em meio a uma investigação sobre um assassinato nunca esclarecido.
As 7 Vidas de Léa apresenta apenas sete episódios de aproximadamente 45 minutos cada, o que significa que toda a temporada pode ser apreciada em cerca de seis horas. Esse formato compacto torna a série perfeita para quem deseja maratonar em um único dia ou distribuir os capítulos ao longo da semana, sem o compromisso de acompanhar uma narrativa extensa.
A protagonista Léa, interpretada por Raïka Hazanavicius, é uma adolescente prestes a completar 18 anos que, após sair de uma festa, encontra o corpo de Ismael. O jovem faleceu três décadas antes, em 1991, época em que mantinha uma relação próxima com Karine e Stéphane, que mais tarde se tornariam os pais de Léa.
O encontro com o cadáver transporta a jovem para o passado. No entanto, a viagem temporal não ocorre da forma esperada: a cada manhã, Léa desperta no corpo de uma pessoa diferente que vivia em 1991. Esse fenômeno inexplicável se torna sua ferramenta principal para desvendar o mistério por trás da morte de Ismael.
Ao assumir diferentes identidades, a protagonista consegue observar os mesmos acontecimentos sob múltiplos ângulos, reunindo pistas que permaneceram ocultas por três décadas. O que começa como uma investigação sobre um assassinato vai se transformando em uma jornada pessoal de autoconhecimento e descoberta sobre sua própria família.
A série não utiliza a viagem no tempo apenas como recurso sobrenatural. A troca de corpos permite que Léa compreenda melhor as escolhas, os conflitos e as dores daqueles que viveram antes dela. Gradualmente, a produção amplia seu foco para temas como identidade, propósito de vida, preconceito racial, questões de gênero, sexualidade e as transformações sociais entre 1991 e os dias atuais.
A ambientação em 1991 recebe atenção especial. Roupas, tecnologia e hábitos da época criam um contraste marcante com o universo que Léa conhece. A trilha sonora complementa a imersão, reunindo faixas de pop, rock alternativo, música eletrônica, punk e indie que capturam o espírito musical do início daquela década.
No Rotten Tomatoes, a produção francesa conquistou 88% de aprovação do público, demonstrando que agradou quem teve a oportunidade de assisti-la. Ainda assim, acabou sendo ofuscada pelas inúmereas novidades que chegaram ao catálogo da plataforma desde seu lançamento.
A narrativa começa estabelecendo as regras de seu universo fantástico e a premissa investigativa, mas vai revelando camadas mais profundas conforme avança. O humor presente em diversos momentos equilibra as cenas mais dramáticas, enquanto a direção de fotografia e os elementos visuais distinguem claramente passado e presente.
Para quem aprecia suspense, mistério e histórias que combinam diversão com profundidade emocional, As 7 Vidas de Léa representa uma escolha acertada. A combinação de investigação criminal, viagem no tempo, descobertas familiares e um tom acessível faz desta série uma opção acima da média para aproveitar aquele tempo livre com uma narrativa envolvente.
Fonte: A TARDE