O Esporte Clube Vitória enfrenta um cenário sombrio após a medida provisória do governo federal que proíbe as empresas de apostas esportivas. O mandatário do clube, Fábio Mota, revelou à Rádio Baiana FM que a instituição corre o risco de registrar um déficit de 55 milhões de reais até o ano de 2027, impactando profundamente o planejamento financeiro já estabelecido.
Segundo o dirigente, o Vitória mantinha um acordo com a plataforma 7K com vigência até dezembro de 2027. O contrato serviu como base para negociações com a Justiça, incluindo a quitação de parcelas mensais, o acerto de dívidas via Câmara Nacional de Resolução de Disputas e o parcelamento de impostos vinculados ao Perse. No entanto, a decisão gubernamental acabou subitamente com o acordo, sem oferecer qualquer período de adaptação aos clubes afetados.
"De maneira abrupta, esse contrato foi encerrado. A forma como o governo conduziu a medida inviabiliza que os clubes recebam indenizações por rescisão ou multas. Houve uma ausência completa de transição, algo que até a Premier League inglesa concedeu, disponibilizando um ano para ajustes", criticou Mota.
O executivo esclareceu que o impacto financeiro é bem mais amplo do que simplesmente os patrocínios nas camisetas. Os contratos de patrocínio das camisas e das placas de publicidade nos estádios representam fontes essenciais de receita. No caso do Vitória, o valor correspondiente aos patrocínios de camisa chegaria a 35 milhões de reais, enquanto para o próximo exercício a previsão é de 45 milhões de reais.
Mota pontuou que as placas de publicidade recebem 75 por cento dos seus rendimentos de empresas de bets, e essas mesmas empresas já comunicaram formalmente os clubes sobre a intenção de não honrar os pagamentos. Com a falta de recebimento no mês passado, o clube enfrenta um rombo de 10 milhões de reais até o encerramento do exercício, projetando um déficit adicional de 45 milhões de reais para o ano seguinte.
Entre as consequências mais graves destacadas pelo presidente, estão possibilidade de bloqueio de contas bancárias, punição de impedâncias de transferência de atletas e perda do programa Perse, que permitia a renegociação de dívidas do setor de eventos com o governo federal. "Caso não haja recursos para quitar a CNRD, o clube sofrerá transfer ban. Sem capacidade de pagar a Justiça do Trabalho, as contas serão bloqueadas. Sem recursos para o Perse, perderemos o benefício. Conseguimos reduzir pela metade a dívida do clube para aderir ao Perse. Ao deixar de pagar, a dívida retorna ao valor original e o programa é perdido", alertou Mota.
Fonte: A TARDE