Uma ação militar conduzida pelos Estados Unidos resultou na morte de dois indivíduos após interceptarem uma embarcação suspeita de envolvimento com o contrabando de entorpecentes nas águas do Pacífico Oriental. O episódio aconteceu no último domingo (23) e só foi tornado público nesta segunda-feira (24), marcando o retorno de operações desse gênero após um intervalo superior a dois meses desde o último incidente registrado em 21 de junho.
De acordo com informações divulgadas pela CNN, o Comando Sul americano, responsável pelas operações militares na região, confirmou a investida contra a embarcação de pequeno porte que seguia por rotas frequentemente utilizadas por organizações dedicadas ao transporte ilícito de drogas. A nota oficial do órgão militar detalhou que a Força-Tarefa Conjunta do Hemisfério Ocidental "realizou um ataque cinético letal contra uma embarcação de baixo perfil que navegava ao longo de rotas estabelecidas de narcotráfico no Pacífico Oriental".
Desde o início da chamada Operação Lança do Sul, deflagrada em setembro de 2025, as Forças Armadas norte-americanas já haviam destruído ao menos 67 embarcações e provocado a morte de 221 pessoas, segundo dados do próprio Comando Sul. O motivo da interrupção dessas operações no Caribe e no Pacífico durante mais de dois meses permanece sem explicação oficial.
O Executivo norte-americano sustenta que o país atravessa um "conflito armado" contra os cartéis de drogas e, por isso, classifica as vítimas fatais dessas ações como "combatentes ilegais". Essa classificação permite que os ataques sejam executados sem a necessidade de supervisão judicial, respaldados por uma decisão sigilosa do Departamento de Justiça. Parlamentares e organizações que defendem direitos fundamentais contestam essa abordagem e defendem que suspeitos de tráfico sejam detidos e submetidos à justiça comum.
Especialistas em segurança pública e autoridades policiais também colocam em dúvida a eficácia dessas operações para frear o fluxo de entorpecentes na região. O general Francis L. Donovan, que comanda o Comando Sul, garantiu que os Estados Unidos manterão a pressão sobre as organizações criminosas. A missão oficial da Operação Lança do Sul continua classificada como secreta.
Recentemente, o senador Tim Kaine manifestou preocupação ao afirmar que os ataques podem ter ceifado a vida de "indivíduos que não mantinham qualquer vínculo com o narcotráfico" e pediu ao presidente Donald Trump que "analise as circunstâncias dessas operações" e ponha fim à iniciativa.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1