Uma nova iniciativa está levando conhecimento tecnológico e artístico para dentro das salas de aula da capital baiana. O projeto Engenhoka foi lançado na Escola Municipal Amélia Rodrigues, localizada no bairro do Tororó, nesta sexta-feira, reunindo sessenta estudantes do ensino fundamental para atividades de robótica educacional e artes visuais.
A ação é uma realização do Instituto Burburinho Cultural, que disponibilizou um estúdio maker completo dentro da própria instituição de ensino. O espaço conta com tablets, impressora tridimensional, televisão de grande porte, notebook para o professor, canetas tridimensionais e diversos materiais artísticos. As oficinas acontecem no contraturno das aulas regulares, com três horas semanais e carga horária total de quarenta horas.
Esta é a terceira edição do programa, que pela primeira vez se estende até a região nordestina. Com a instalação em Salvador, o projeto alcança seu vigésimo estúdio maker em território nacional. A metodologia adotada busca integrar conhecimentos científicos e expressões artísticas, estimulando a criatividade e o pensamento lógico dos participantes.
Segundo a presidente do instituto responsável, a proposta vai além da montagem de robôs. "Para construir um robô, é necessário construir uma escultura, uma obra de arte. Os jovens vão conhecer a história da arte, passando por referências como Van Gogh, e pensar, por exemplo, no pássaro autômato, reproduzindo a tecnologia presente na arte para então construir seus próprios robôs", explicou.
A dirigente também destacou a importância de inserir a tecnologia desde a educação básica. "Nós consumimos muita tecnologia, mas o quanto estamos, de fato, operando e produzindo essa tecnologia? Ela também é um elemento de segregação social", pontuou.
As atividades são divididas em cinco módulos, conduzidos por instrutores especializados. Cada estudante recebe um kit com materiais para utilizar durante as aulas. Ao término do projeto, todos os equipamentos e mobiliários do estúdio maker serão doados à escola, garantindo a continuidade do acesso às ferramentas tecnológicas.
Para a diretora da instituição de ensino, a chegada do programa representava um desejo antigo da comunidade escolar. "Desde o momento em que os alunos descobriram o projeto, demonstraram muito mais interesse por tecnologia e robótica. Será maravilhoso", afirmou.
Entre os participantes, a estudante Maria Eduarda Bastos Couto, de treze anos, revelou estar ansiosa para a experiência. "Estou muito animada porque nunca fiz coisas com robótica, nunca fiz robôs", contou. A colega Rebeca Souza Santos, de doze anos, demonstrou curiosidade especial pela impressora tridimensional. "Estou mais ansiosa com a máquina de impressão tridimensional porque falaram muito bem dela e quero testar", disse.
Com sede no Rio de Janeiro, o Instituto Burburinho Cultural completa duas décadas de atuação em 2026. A organização mantém polos educacionais nos estados do Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Bahia. Além do Engenhoka, desenvolve outros projetos voltados a diferentes públicos, incluindo o Lab 60+ para pessoas da terceira idade e iniciativas de diversidade e cultura.