A Patrulha Guardiã Maria da Penha, vinculada à Guarda Civil Municipal de Salvador, acumulou mais de 800 atendimentos a mulheres que sofreram algum tipo de violência desde o início de 2025 até o momento atual. O balanço foi revelado pela coordenação da equipe, que reforça o compromisso com a proteção integral das vítimas na capital baiana.
O grupo é composto por 16 agentes que recebem treinamento específico para lidar com casos de violência de gênero. Conforme Jéssica Reis, responsável pela coordenação, o efetivo permanece voltado exclusivamente para essa missão, o que possibilita uma resposta mais qualificada diante das demandas registradas.
Entre as principais situações que exigem intervenção estão episódios de importunação sexual registrados em ônibus, abrigos de parada e regiões com alta concentração de pessoas. O descumprimento de decisões judiciais que determinam medidas protetivas também aparece como uma das ocorrências mais frequentes atendidas pela equipe.
"Nós identificamos os pontos estratégicos a partir dos locais com maior volume de acionamentos pelo Botão Lilás. Essas áreas concentram um fluxo significativo de mulheres e, consequentemente, apresentam mais situações que demandam nossa presença", detalhou Jéssica.
O Botão Lilás funciona por meio de uma linha de WhatsApp disponibilizada pela Prefeitura de Salvador. O serviço pode ser ativado tanto pela própria vítima quanto por qualquer cidadão que testemunhe um ato de violência. Ao receber o chamado, a Central de Operações desloca a equipe mais próxima ao local, enquanto os agentes coletam dados sobre a ocorrência para chegar preparados.
"Nossa preocupação central é garantir a integridade física da vítima. Quando há flagrante, o agressor é detido na hora e enviado à Polícia Civil. Atuamos de forma integrada com a rede de proteção, oferecendo acolhimento, segurança e encaminhamento apropriado", explicou a coordenadora.
A Patrulha mantém articulação permanente com instituições como o Centro de Referência de Atendimento à Mulher Loreta Valadares, a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Infância e Juventude, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a Defensoria Pública. Atualmente, não realiza monitoramento preventivo nem visitas periódicas às mulheres que possuem medidas protetivas concedidas pela Justiça, concentrando esforços na resposta emergencial.
As atividades da equipe também abrangem ações preventivas. As agentes promovem rodas de conversa e palestras em comunidades e escolas, criando espaços para que mulheres possam relatar experiências de violência e buscar orientação sobre os serviços disponíveis na rede de assistência.
"O grande obstáculo continua sendo o silêncio. Muitas vítimas demoram a procurar ajuda por medo ou pela esperança de que o agressor mude de comportamento. Nosso papel nas ruas, dialogando diretamente com as mulheres, é fundamental para evitar que a violência avance rumo ao feminicídio", enfatizou Jéssica.
A Patrulha também atua na Casa da Mulher Brasileira, garantindo segurança às vítimas acolhidas enquanto aguardam a concessão de medidas protetivas. Além disso, acompanha mulheres em deslocamentos para atendimentos de saúde e outros serviços essenciais.
"Quero que cada mulher saiba que não está desamparada. A Patrulha existe para oferecer escuta, proteção e cumprimento da lei. Se você está em risco, acione o Botão Lilás. Nosso time está preparado para atendê-la com dignidade, sigilo e total compromisso com sua segurança", concluiu a coordenação.