A proliferação de ferramentas de inteligência artificial representa um desafio sem precedentes para a sociedade, especialmente no contexto electoral. O jornalista e especialista no tema Álvaro Leme compartilhou suas preocupações durante participação no programa Jornal da Cidade nesta sexta-feira.
De acordo com Leme, embora a tecnologia ofereça possibilidades promissoras para campanhas políticas, como a simplificação de propostas para diferentes públicos, na realidade atual ela tem sido empregada principalmente para espalhar informações enganosas e produzir gravações manipuladas. "Há um uso massivo para fins de desinformação, com a criação de vídeos adulterados envolvendo pessoas. Isso transforma a ferramenta em algo prejudicial", declarou.
O especialista explicou que os indicadores que antes auxiliavam na detecção de montagens, como falhas em representações de mãos, placas, arcadas dentárias ou movimentos corporais, tornaram-se praticamente imperceptíveis com o aprimoramento dos sistemas. "Com a evolução dessas tecnologias, identificar o que é real virou algo quase inviável", completou.
Diante desse cenário, Leme recomenda que a população adote práticas semelhantes às dos profissionais de comunicação: investigar a procedência e o contexto das informações antes de dar crédito ou propagar determinado material. "É fundamental instruir as pessoas a examinarem tudo com criticidade", enfatizou, destacando que a concepção tradicional de que 'ver para crer' perdeu completamente a validade.
Sobre a questão da responsabilização por conteúdos fraudulentos gerados por máquinas, o especialista defendeu que o ponto principal deve recair sobre quem originou o material. No entanto, reconheceu a complexidade quando se trata de produções envolvendo figuras políticas, já que campanhas podem atribuir criações duvidosas a apoiadores autônomos, dificultando o rastreamento.
Além do impacto no cenário eleitoral, Leme abordou as consequências da inteligência artificial no universo profissional. Na visão dele, determinadas ocupações tendem a desaparecer enquanto novas surgirão. A grande questão permanece: o volume de oportunidades emergentes será suficiente para absorver os profissionais afetados pela mudança tecnológica? "Em muitas circunstâncias, a atuação humana migrará da criação direta para a verificação e supervisão de trabalhos gerados por sistemas automatizados", observou, citando o campo jornalístico como uma das áreas que passarão por profundas reformulações.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1