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Tribunal federal marca audiência de conciliação entre governo brasileiro e plataforma Discord

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Fonte: A TARDE
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A Justiça do Distrito Federal agendou para a próxima quarta-feira, 2, uma reunião de conciliação entre representantes do governo federal e executivos da plataforma Discord. O encontro servirá para orientar a decisão judicial sobre o pedido de medidas urgentes apresentado pela Advocacia-Geral da União contra a empresa.

O processo foi iniciado pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cobra da plataforma uma indenização de R$ 500 milhões por danos morais coletivos. O governo também exige que a empresa implemente mecanismos de adequação à legislação nacional voltada à proteção de crianças e adolescentes.

Participarão da audiência representantes da União, da empresa Discord e do Ministério Público Federal. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados poderá integrar o grupo de participantes.

O Executivo moveu a ação após não alcançar êxito nas negociações para assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta. O acordo pretendia adaptar as funcionalidades do Discord às normas brasileiras e encerrar investigações em andamento sem novos enquadramentos.

Antes de pronunciar-se sobre o pedido de tutela antecipada, o juiz concedeu prazo de cinco dias para que o Ministério Público Federal e a plataforma apresentem suas manifestações. A determinação permanece válida independentemente da realização da audiência.

Na decisão que agendou o encontro, o magistrado justificou que a natureza, a gravidade e a complexidade das questões debatidas recomendam um esclarecimento aprofundado dos fatos antes da concessão de medidas urgentes.

Entre os pontos que serão examinados está o impacto das determinações já emitidas pela Agência Nacional de Proteção de Dados contra a plataforma. O Tribunal quer compreender o alcance, o período de vigência e a situação atual dessas decisões, além de verificar quais providências o Discord já executou em resposta a elas.

Os Autos também buscam esclarecer se houve recurso administrativo contra as decisões da agência reguladora e de que forma as medidas já adotadas influenciam a necessidade de determinações judiciais complementares.

Na audiência, o Discord deverá fornecer informações detalhadas sobre os sistemas de segurança e moderação implementados na plataforma. As partes poderão ser assessoradas por especialistas técnicos no funcionamento de redes sociais.

Além de coletar subsídios para a decisão judicial, o encontro busca uma possível composição entre as partes. A Justiça reconhece que parte das obrigações requeridas possui caráter estrutural, o que torna apropriada a tentativa de solução negociada.

Exigências do governo federal

Além da indenização milionária, o governo requer medida urgente para obrigar o Discord a adotar, no prazo de 15 dias, providências de adequação às normas de proteção de menores, sob pena de multa diária de R$ 500 mil.

Em 12 de agosto, a ANPD determinou a suspensão das transmissões ao vivo e demais recursos de vídeo da plataforma no território brasileiro. A medida, tomada durante fiscalização da agência, exige que as funcionalidades permaneçam bloqueadas até que a empresa demonstre a implementação de mecanismos eficazes de proteção a crianças e adolescentes.

As duas ações tramitam de forma independente.

Requisitos de urgência solicitados pela União

O governo federal pediu à Justiça que determine, em caráter de urgência, as seguintes providências:

Bloqueio técnico para impedir recriação de servidores e contas excluídas;

Guarda de registros de moderação por no mínimo seis meses;

Sistema de identificação e interrupção em tempo real de transmissões ao vivo contendo conteúdo de automutilação e violência, caso a função de lives seja reativada;

Protocolo específico para comunicar autoridades sobre casos de extorsão;

Mecanismos de moderação para conteúdos de maus-tratos a animais;

Equipe de moderação em língua portuguesa compatível com o tamanho da base de usuários no Brasil;

Sistema robusto de verificação de idade;

Vinculação obrigatória de contas de menores de 16 anos a um responsável legal;

Configurações de privacidade e proteção ativadas automaticamente para perfis de menores.

Fonte: A TARDE

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