Levantamentos conduzidos por organizações especializadas trouxe à tona dados alarmantes sobre a vida das mulheres no Brasil. A pesquisa, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão em parceria com o instituto Locomotiva, evidenciou que a combinação entre medo e angústia cria uma prisão invisível que restringe profundamente o cotidiano feminino.
De acordo com o estudo, 78% das entrevistadas relataram já ter sido vítimas de alguma forma de violência. Já 98% afirmaram desenvolver estratégias diárias para tentar evitar agressões. Os especialistas explicam que o medo está relacionado a ameaças externas, como ataques e assédios, enquanto a angústia surge da necessidade interna de tomar decisões sobre como se proteger.
Essa dualidade de sentimentos provoca consequências severas. Muchas mulheres abandonam espaços que costumavam frequentar, modificam seus itinerários habituais, evitam sair após o anoitecer e chegam a recusar propostas vantajosas de emprego ou qualificação profissional. O resultado é uma limitação sistemática do direito de locomoção, previsto no inciso XV do artigo 5º da Constituição Federal.
O problema transcende a esfera individual e afeta diretamente a economia, a educação e o progresso social do país. Especialistas alertam que o governo federal precisa trabalhar em conjunto com governos estaduais e municipais para fortalecer os mecanismos de proteção à integridade feminina e restaurar a cidadania plena das brasileiras.
Fonte: A TARDE