O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira (19) que entregaria, na terça-feira (20), ao Tribunal Eleitoral a autorização para a quebra de seu sigilo bancário, bem como o de seus cinco filhos. A medida foi tomada em meio à corrida presidencial de 2026.
Durante um compromisso de campanha no Rio Grande do Sul, o mandatário também fez um chamado ao adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para que autorizasse a divulgação de suas informações financeiras e dados sobre seus empreendimento comerciais. "Vou entregar isso amanhã no Tribunal Eleitoral, na esperança de que o oponente apresente a proposta de abrir o sigilo da sua empresa e dos seus negócios. É necessário pôr fim a essa narrativa de chamar pessoas honestas de ladrões", declarou o presidente.
De acordo com Lula, a iniciativa tem como objetivo permitir que a população brasileira identifique "quem é ladrão e quem não é". O chefe do Executivo justificou a inclusão de seus cinco filhos no documento ao afirmar que sua família costuma ser alvo de ataques durante os pleitos eleitorais. "Fiz questão de incluir meus cinco filhos porque sei que, a cada eleição, inventam algo contra a minha família. Decidi não permanecer calado. Esta é minha última disputa pela Presidência, então não posso permitir que um ladrão tente destruir minha reputação. Isto é em defesa da minha honra e da minha família, pois não podemos aceitar que um ladrão governe este país", completou.
No pronunciamento, Lula também questionou a aquisição, em pagamento único, de uma propriedade de alto padrão avaliada em 10 milhões de reais por parte de Flávio Bolsonaro. O presidente mencionou o salário bruto mensal de 46,3 mil reais recebido pelo senador e cobrou esclarecimentos sobre a origem dos recursos utilizados na transação. "Não posso aceitar que fui presidente três vezes, morei em um apartamento adquirido em 1998, e não posso tolerar que alguém com o mesmo salário do presidente compre uma casa de 10 milhões de reais à vista sem explicar de onde veio o dinheiro", afirmou.
O presidente ainda voltou a atacar a conduta de Flavío Bolsonaro durante o debate presidencial de segundo turno realizado pela emissora Band no domingo (18). Lula desaprovou o fato de o senador ter utilizado o termo "corrupto" para se dirigir a ele durante o confronto. "Todos conhecem o histórico dele e sabem da minha biografia, conocen a história de cada um. Não vou permitir que um miliciano fique atrás de mim no debate, segurando um papel com a palavra 'corrupto', porque corrupta é a família dele e ele mesmo", declarou.
Mais cedo, o coordenador da campanha do Partido dos Trabalhadores, Camilo Santana, já havia antecipado a intenção de Lula de permitir a abertura do sigilo bancário. Na ocasião, porém, sinalizou que a medida estava condicionada a uma atitude semelhante por parte de Flavío Bolsonaro. Relatos indicam que pesquisas qualitativas internas da legenda demonstraram que a proposta de abertura dos sigilos dos dois candidatos foi um dos momentos mais positively avaliados da participação de Lula no debate.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1