O senador Flávio Bolsonaro, do partido PL, que disputa a corrida presidencial, coleciona ao longo de sua trajetória política manifestações alinhadas à defesa do período militar no Brasil, além de críticas às iniciativas que buscaram apurar violações de direitos humanos cometidas durante aquele regime.
O parlamentar veio ao mundo em 30 de abril de 1981, exata data em que aconteceu oatentado do Riocentro, na capital fluminense. O evento envolveu militares que se opunham ao processo de abertura democrática. Na última semana, o colunista Bernardo Mello Franco, do jornal O Globo, publicou artigo titulado "Flávio Bolsonaro é o filho do Riocentro", no qual recupera discursos proferidos pelo congressista na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e trechos do livro "Mito ou Verdade", lançado pelo próprio Flávio em 2017.
O ataque ao Riocentro aconteceu durante espetáculo em celebração ao Dia do Trabalhador, na Zona Oeste da cidade. Militares que rejeitavam a liberalização política planejavam detonação de explosivos e pretendiam atribuir a autoria a organizações de esquerda. Uma das bombas explodiu no interior de um veículo onde viajavam dois agentes das Forças Armadas, causando a morte do sargento Guilherme Pereira do Rosário e ferindo o capitão Wilson Luís Chaves Machado. O episodio permanece como um dos símbolos das investidas de segmentos militares para barrar a redemocratização.
No livro escrito pelo candidato, ele manifesta apoio à atuação dos militares após o golpe de 1964 e questiona os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, órgão instituído para investigar crimes praticados durante a ditadura. O senator defende que agentes da repressão sejam celebrados como heróis nacionais, em vez de serem condenados. Entre as figuras elogiadas está o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, judicialmente reconhecido como torturador no período ditatorial.
Flávio também contesta versões sobre casos como o do ex-deputado Rubens Paiva, assassinado após ser detido por agentes da repressão e conduzido ao DOI-Codi, no Rio. O parlamentista questiona a narrativa oficial e insinua participação de grupos de esquerda na morte do ex-congressista.
Discursos proferidos na Alerj entre 2004 e 2011 revelam que o então deputados celebrou a data de 31 de março de 1964, correspondente ao golpe militar, e recusou classificar a deposição de João Goulart como golpe de Estado. O colunista ancora essas colocações no cenário político de 2026, marcado por discussões sobre os episódios de 8 de janeiro de 2023 contra os Três Poderes e pelas condenações de envolvidos na tentativa de ruptura institucional.
Fonte: A TARDE