O laudo de necropsia do macaco-prego batizado de Alcebíades, morto no início de outubro após invadir residências no condomínio Alphaville 2, em Salvador, indicou que o animal provavelmente faleceu em decorrência de um choque hemorrágico causado por sangramentos em diversos tecidos e órgãos do corpo. O documento também registrou lesões compatíveis com traumatismo cranioencefálico, que podem ter contribuído para o óbito.
Entre os achados da necropsia, realizadas pelo serviço de medicina veterinina, foram identificados um hematoma significativo na região temporal direita da cabeça e hemorragias em áreas do cérebro, abrangendo os lobos frontal direito e occipital esquerdo. De acordo com o documento, essas alterações são compatíveis com trauma cranioencefálico e podem ter provocado a morte tanto pelos danos causados ao tecido cerebral quanto pela perda sanguínea associada.
Apesar dos resultados, o laboratório salientou que não é possível atribuir todas as hemorragias exclusivamente aos traumatismos. Os profissionais também levaram em consideração a possibilidade de distúrbios na coagulação sanguínea que possam ter desencadeado ou agravando o quadro clínico do animal.
O histórico apresentado ao serviço mencionava a suspeita de que o macaco tivesse sido surrado e recebido alguma substância tóxica. No entanto, essas informações foram registradas como relatos do responsável pelo animal, sem comprovação pelos exames realizados. O laudo também não conseguiu determinar a origem dos ferimentos encontrados no corpo de Alcebíades, e a confirmação de uma eventual intoxicação dependeria de testes toxicológicos específicos.
Embora o laudo necroscópico tenha apontado o choque hemorrágico como causa provável da morte, os especialistas recomendaram a realização de exames complementares para esclarecer a procedência das lesões e investigar possíveis alterações na coagulação sanguínea. Durante o procedimento, foram coletadas amostras de órgãos e tecidos para análises histopatológicas, toxicológicas e moleculares.
O macaco-prego Alcebíades morreu no dia 5 de outubro, após invadir diversas casas do condomínio Alphaville 2. Durante a passagem pelos imóveis, o animal destruiu um box de vidro, entrou em um quarto onde havia um recém-nascido de apenas cinco dias e deixou moradores feridos. Após cerca de três horas e meia de operação, o animal foi capturado por agentes da Companhia de Policiamento e Proteção Ambiental e levado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres, onde chegou em estado debilitado e recebeu atendimento veterinário, mas não sobreviveu. O ex-deputado estadual Marcell Moraes, tutor do animal, levantou a suspeita de envenenamento e pediu investigação para esclarecer as circunstâncias do óbito.
Fonte: A TARDE