O Dia Mundial de Conscientização sobre a Gagueira, comemorado nesta quinta-feira (22), evidencia os obstáculos vividos por profissionais que apresentam esse distúrbio de fala, especialmente no ambiente corporativo. Pesquisas recentes revelam que o preconceito pode restringir tanto a contratação quanto o crescimento na carreira dessas pessoas.
Um levantamento realizado em 2024 com 303 adultos brasileiros que gaguejam demonstrou que mais da metade dos participantes — exatamente 56% — sofreu pelo menos uma situação de discriminação relacionada ao distúrbio ao longo da vida. Entre os relatos, foram mencionadas recusas de emprego e até orientação de professores contra determinadas escolhas profissionais. Os dados foram publicados na revista científica Journal of Fluency Disorders, embora não representem necessariamente toda a população brasileira.
Outra pesquisa, divulg ada em 2025 pelo American Journal of Speech-Language Pathology, analisou informações de 16.653 pessoas acompanhadas durante diferentes fases da vida. Os resultados indicaram que adultos com gagueira possuem entre 20% e 22% menos probabilidade de estarem satisfeitos com seus empregos comparados a quem não apresenta o distúrbio. O estudo também identificou diferenças nas expectativas de formação acadêmica e renda, porém não encontrou relação entre a gagueira e a chance de estar empregado ou receber benefícios trabalhistas.
Uma terceira investigação, feita em 2025 com 331 gestores de empresas norte-americanas, revelou que a maioria sabia pouco ou nada sobre o tema. A pesquisa, disponível no banco de dados PubMed, sugere que a desinformação e os estereótipos contribuem para atitudes discriminatórias nas organizações.
Segundo o Conselho Federal de Fonoaudiologia, a gagueira é um transtorno de causa multifatorial, envolvendo aspectos genéticos, neurobiológicos e motores. A condição pode causar repetições involuntárias de sons, prolongamentos e bloqueios na fala. Estima-se que cerca de 2 milhões de brasileiros convivam com a gagueira crônica, que geralmente surge na infância, antes dos seis anos de idade. O conselho destaca que o problema não está relacionado à inteligência, conhecimento ou capacidade profissional.
Para combater o preconceito, especialistas recomendam práticas simples no dia a dia corporativo: ouvir sem interromper, evitando completar frases; não cobrar pressa na fala; avaliar o conteúdo das ideias e não a fluência; garantir oportunidades igualitárias em seletivas; e promover capacitações sobre comunicação inclusiva nas equipes.
Fonte: Aratu On – Últimas Notícias