O comando do Senado Federal nos próximos dois anos promete ser palco de uma intensa batalha política entre duas das principais figuras da atual cena parlamentaria brasileira. Enquanto o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre, busca um terceiro mandato consecutivo, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, já movimenta peça estratégicas para assumir o posto que considera fundamental para seus interesses e do grupo que representa.
Rogério Marinho, parlamentar pelo estado do Rio Grande do Norte filiado ao PL, consolidou-se como um dos principais nomes da bancada bolsonarista. O ex-coordenador da campanha de Flavinho Bolsonaro à Presidência da República intensificou sua articulação nos bastidores logo após o desfecho das eleições presidenciais, que resultou na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. A força conquistada nas urnas, especialmente pelo PL, que alcançou impressionantes 28 cadeiras no Senado, deu munição para Marinho acelerar sua pretensão ao comando do Congresso.
A conquista da Presidência do Senado representaria para os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro a possibilidade de colocar em pauta questões consideradas espinhosas pelo atual governo, como processos de impedimento de ministros do Supremo Tribunal Federal, além de facilitar a aprovação de propostas com viés conservador.
Do outro lado, Davi Alcolumbre, senator pelo Amapá pelo partido União Brasil, enfrenta um cenário mais desafiador. Mesmo sendo reconhecido pela facilidade de negociação dentro da Casa, o atual presidente precisou ajustar sua rota diante da nova configuração do Senado, que se mostrou mais receptiva às pautas bolsonaristas. Nas semanas seguintes ao primeiro turno das eleições, Alcolumbre passou a avançar em textos que poderiam agradar ao Palácio do Planalto, como a aprovação da extinção da escala de trabalho 6×1, votada antes do segundo turno com apoio maciço da bancada do PL.
Além disso, o senator demonstrou abertura para discutir a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, matéria de interesse do governo federal que deve ser votada em breve. A estratégia de Alcolumbre visa garantir o apoio tanto do presidente Lula quanto de seus senator quanto dos parlamentares de centro, movimento essencial para sua permanência no cargo.
Um gesto de aproximação com a oposição veio na forma de uma possível anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente cumprir pena por tentativa de golpe de Estado. A definição da disputa está prevista para fevereiro de 2027, no início da nova inúmera legislature, quando os senator escolherão quem comandará o Senado pelos próximos dois anos.
Fonte: A TARDE