A filha de Marielle Franco, Luyara Franco, tornou público nesta semana um caso de racismo direcionado à memória de sua mãe. As ofensas teriam ocorrido em um grupo de mensagens instantâneas que reunia membros da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, instituição onde a vereadora assassinada cursou sociologia.
Segundo relato de Luyara, um dos participantes do grupo empregou o termo depreciativo "macaca" ao questionar se Marielle teria condições financeiras para pagar seus estudos na universidade. A jovem utilizou as redes sociais para denunciar o episódio, compartilhando a publicação em conjunto com o Instituto Marielle Franco.
"Mais uma vez, atacam a memória da minha mãe com o ódio e o racismo. Dói, revolta, mas não vai nos silenciar. Racismo é crime! Exigimos respeito, apuração e posicionamento da PUC-Rio", escreveu Luyara em sua postagem.
No texto, a filha de Marielle lembrou a trajetória acadêmica e política da mãe, destacando-a como uma mulher que construiu sua história por meio de trabalho, inteligência e compromisso com a transformação social. "Uma mulher que teve sua vida interrompida pela violência política e que mesmo depois de ser assassinada, continua sendo alvo de racismo. Isso não é brincadeira, não é opinião, não é liberdade de expressão. Racismo é crime", completou.
A legislação brasileira considera o racismo um crime inafiançável e imprescritível, punível com reclusão e multa. A condenação está prevista na Constituição Federal.
A PUC-Rio emitiu nota informando que recebeu as denúncias por meio da Ouvidoria e do Canal Externo de Denúncias. A instituição afirmou que abriu investigação interna para apurar os fatos e tomar as providências administrativas e legais necessárias. "A PUC-Rio rechaça veementemente qualquer ato discriminatório, incluindo racismo e injúria racial", declarou a universidade, que também publicou nota de repúdio destinada a toda a comunidade acadêmica, reafirmando seu compromisso com a educação antirracista e com a preservação da memória de Marielle Franco.
Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram mortos em março de 2018, quando o veículo em que seguiam foi atingido por tiros após deixarem um evento no centro do Rio de Janeiro. Pelo crime foram condenados Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio à época dos fatos; Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio; Ronald de Paula, major da Polícia Militar; e Robson Calixto, ex-policial militar.
Fonte: A TARDE