Uma caravana composta por membros do executivo federal pousou em território sul-mato-grossense ontem para verificar informações sobre agressões, intimidações e transgressões de direitos fundamentais dirigidas a populações tradicionais. A diligência foi ordenada pelo mandatário Luiz Inácio Lula da Silva. Integravam a comitiva os titulares das pastas dos Povos Indígenas, da Justiça e Segurança Pública, e dos Direitos Humanos e da Cidadania, além de duas parlamentares federais.
No sábado, o grupo esteve na aldeia Taquaperi, situada em Coronel Sapucaia, adjacente à divisa com o Paraguai. O roteiro incluía também passagem pela comunidade Sassoró, no município de Tacuru, onde habitantes registraram ameaças graves.
A ida a Sassoró aconteceu após a divulgação de gravações atribuídas a dois trabalhadores da administração municipal de Tacuru. Em um dos áudios, um homem propõe contaminar o manancial utilizado pelos povos tradicionais e declara textualmente que é preciso "exterminar essas pragas na água". A prefeitura confirmou a identidade dos dois servidores, que foram exonerados de suas funções e enfrentam procedimentos disciplinares.
Conforme o Ministério Público Federal, as análises iniciais não encontraram elementos contaminantes nos poços que suprem a aldeia. As intimidações e os arquivos sonoros permanecem sob apuração da Polícia Federal.
A equipe governamental monitora ainda relatos de outras investidas contra os Guarani Kaiowá. Na quinta-feira passada, a moradia ritualística da anciã Ñandesy Roberta, nonagenária, foi devastada por um incêndio intencional na aldeia Jaguapiré, igualmente em Tacuru.
A parlamentar Célia Xakriabá classificou os inúmerOS episódios como intensificação da violência contra etnias originais e associou as hostilidades à participação política dos povos indígenas durante o processo eleitoral. A mobilização conta com o concurso da Polícia Rodoviária Federal, do órgão indigenista oficial e da Força Nacional de Segurança Pública. O executivo comunicou que pretende dar continuidade à presença na área até que os delitos sejam elucidados e os culpados identificados.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1