Uma lenda viva dos oceanos voltou a encantar pesquisadores e entusiastas da natureza. Wisdom, uma albatroz-de-laysan considerada o vertebrado selvagem mais ancião do planeta, foi avistada novamente em seu ninho tradicional na ilha Atol de Midway, território insular americano situado no Oceano Pacífico. A última vez que essa ave extraordinária havia sido registrada no local foi em 1956, fazendo com que sua reaparição representasse um marco histórico para a comunidade científica.
Com idade estimada em aproximadamente 75 anos, Wisdom chegou ao ninho acompanhada de um novo companheiro, demonstrando que a vitalidade dessa espécie permanece impressionante mesmo em idades avançadas. O retorno oficial aconteceu em novembro de 2025, embora a confirmação tenha viralizado apenas quase um ano depois, movimentando redes sociais e publicações especializadas em todo o mundo.
Os registros indicam que essa fêmea extraordinária conseguiu nidificar com sucesso pela última vez aos 74 anos de idade. Especialistas calculam que, ao longo de sua longa existência, Wisdom tenha depositado entre 50 e 60 ovos e criado aproximadamente 30 descendentes até o momento em que abandonam o ninho e começam a voar sozinhos.
A albatroz-de-laysan possui características que a tornam única no reino animal. Embora inicie sua vida nas ilhas pacíficas, essa ave passa a maior parte de seus dias planar sobre as vastidões oceânicas. Graças à sua impressionante envergadura de quase dois metros, consegue permanecer horas, dias e até semanas no ar sem precisar bater as asas, aproveitando as correntes de vento para se deslocar.
No solo, porém, sua agilidade diminui consideravelmente. Para conseguir levantar voo, a ave precisa correr contra ventos favoráveis, o que torna esse momento particularmente vulnerável. Apesar disso, a terra firme continua sendo o local preferido para a construção dos ninhos, onde casais dessa espécie mantêm vínculos duradouros e duradouros ao longo de suas vidas.
O Atol de Midway abriga atualmente a maior concentração de colônias dessa espécie, com centenas de milhares de casais ocupando poucos quilômetros quadrados de areia. Paradoxalmente, esse mesmo local também apresenta uma das maiores taxas de mortalidade entre filhotes, vítimas de um perigo invisível: fragmentos de plásticos que os animais confundem com presas durante suas caçadas no mar, e que são regurgitados aos filhotes durante a alimentação.
Fonte: A TARDE