A situação dos casamentos precoces no Brasil voltou a despertar preocupação durante entrevista concedida pela representante da Organização das Nações Unidas em Salvador. Michele Dantas apontou o estado baiano como um dos mais vulneráveis a essa prática em todo o território nacional.
Segundo ela, múltiplos elementos contribuem para a perpetuação do problema, incluindo a pobreza extrema, as desigualdades sociais estruturais e as gestações que ocorrem na adolescência, quando frequentemente as famílias enxergam a união como a única alternativa viável. Nas análises regionais, as zonas Norte e Nordeste do país apresentam os maiores volumes absolutos de casos registrados.
Estatísticas oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que mais de 34 mil menores com idade entre 10 e 14 anos vivem alguma modalidade de casamento infantil, com predominância de meninas negras e pardas. A especialista alertou, entretanto, que os números permanecem incompletos por não abrangerem a faixa etária entre 15 e 17 anos.
A representante esclareceu que tais uniões não necessitam de formalização em cartório para serem contabilizadas, uma vez que arranjos informais e a chamada coabitação também entram nos levantamentos. Para ela, esse tipo de situação carrega consigo consequências graves: diferenças expressivas de idade entre os envolvidos, disparidades nos níveis de escolaridade, situação de dependência financeira, reincidência de gravidez na adolescência e maior exposição a episódios de violência dentro do relacionamento.
Diante desse cenário preocupante, o Fundo de População das Nações Unidas promove desde meados de agosto a campanha educativa "Casamento é Coisa de Adulto", cujo objetivo é informar a sociedade sobre a dimensão do fenômeno e mobilizar a população. Interessados podem acessar a plataforma digital disponibilizada e preencher um formulário para contribuir com a iniciativa.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1