A cúpula alvinegra entregou aos representantes da SAFiel um extenso rol de questionamentos que precisam ser respondidos antes que o projeto possa avançar. O documento, assinado pelos comandantes das três principais esferas do clube, revela que a direção não pretende tomar decisões precipitadas sobre a transformação do departamento de futebol em sociedade anônima.
O encontro entre as partes aconteceu na última quarta-feira, 26, na sede do Parque São Jorge, e se estendeu por aproximadamente quatro horas. Ao término da reunião, ficou acertado que o grupo teria que esclarecer todos os pontos levantados antes que qualquer memorando de intenções pudesse ser assinado.
Entre as principais demandas, o Timão exige explicações aprofundadas sobre a metodologia utilizada para calcular a captação de R$ 2,5 bilhões, podendo chegar a R$ 3 bilhões conforme a adesão dos torcedores. O clube quer entender como o grupo chegou ao porcentual de 5% dos torcedores economicamente ativos e como foram compatibilizados dados de institutos como Datafolha, Ipsos/Ipec, IBGE, Serasa, Anbima, B3 e Instituto Locomotiva.
A diretoria também solicita cenários conservador, intermediário e pessimista do projeto, além da possibilidade de auditoria independente nos dados do Book SAFiel 2.0. Questões como endividamento familiar, inadimplência, restrição de crédito e liquidez disponível dos torcedores também precisam ser esclarecidas.
A área de Compliance, por sua vez, voltou suas atenções para a Invasão Fiel S/A, empresa responsável pela proposta. O capital social de apenas R$ 3 mil chama a atenção diante da magnitude financeira prevista para a operação. O Corinthians também questiona a criação recente da companhia, registrada em julho de 2025.
O documento cobra ainda esclarecimentos sobre Maurício Chamati, sócio da Invasão Fiel S/A e fundador do Mercado Bitcoin. Chamati participou do Comitê Independente de Finanças durante a gestão do ex-presidente Augusto Melo e assinou um termo de confidencialidade com vigência de cinco anos após o recebimento de cada informação protegida.
O clube quer saber se dados acessados por Chamati durante sua passagem pelo comitê foram utilizados na elaboração da proposta atual. O Corinthians também solicita a discriminação completa de todos os documentos, dados e fontes utilizados no projeto para verificar o cumprimento do acordo de sigilo.
O termo de confidencialidade prevê multa de R$ 500 mil em caso de divulgação indevida comprovada judicialmente. O Compliance ainda mentiona pontos como a participação societária de Chamati no Mercado Bitcoin, um procedimento investigatório por estelionato e um suposto envolvimento no financiamento da campanha de Augusto Melo à presidência do clube.
O Corinthians esclarece que tais apontamentos não representam conclusão sobre culpa ou ilicitude, sendo tratados como questões a serem esclarecidas durante a análise.
Por fim, o clube manifestou preocupação com uma cláusula que poderia gerar efeitos financeiros imediatos mesmo com o documento classificado como não vinculante. A direção quer garantir que a assinatura não crie exclusividade que impeça a análise de outros projetos de SAF durante o período de validade do documento.
As respostas serão analisadas pelas três presidências do clube antes de qualquer nova manifestação pública sobre o futuro do projeto.
Fonte: A TARDE