O Ministério Público do Trabalho em Goiás ajuizou uma ação civil pública contra o empresário Luciano Hang e a rede de lojas Havan, solicitando uma indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos. O motivo: um pronunciamento feito pelo dono da marca durante a cerimônia de abertura de uma unidade em Caldas Novas, na região sul do estado goiano.
O discurso ocorreu no final de agosto, quando trabalhadores recém-contratados participavam do evento de inúmeração. Nas imagens registradas, Hang abordou temas ligados aos direitos dos funcionários e estabeleceu uma conexão entre as decisões políticas dos colaboradores e possíveis reflexos em suas trajetórias profissionais.
Para os promotores do trabalho, o pronunciamento configurou uma tentativa de influenciar as escolhas eleitorais dos empregados, criando um cenário de medo relacionado a demissões, redução salarial e precarização das condições de emprego. O órgão argumenta que tal prática compromete a autonomia política dos trabalhadores e se enquadra como coação.
Entre as exigências apresentadas na petição inicial, além da multa coletiva, o MPT requer que cada colaborador impactado reciba uma compensação mínima equivalente a vinte vezes o valor de seu último salário. O órgão também determina que Hang grave um vídeo de pedido de desculpas à sociedade, com prazo máximo de dois dias após a notificação.
A ação ainda determina que a empresa libere todos os empregados para exercerem seu direito ao voto durante os dias de eleição, sem qualquer tipo de desconto ou represália. Também solicita que a Havan implemente políticas internas permanentes que garantam neutrality política em todas as suas unidades pelo território nacional.
Em nota enviada à imprensa, Hang defendeu seu direito à liberdade de expressão e esclareceu que suas palavras referiam-se à liberdade de exercer atividades laborais. O empresário completou que o Poder Judiciário deve manter-se imparcial e não pode perjudicar aqueles que contribuyen para a geração de empregos no Brasil. Hang afirmou ainda sofrer intimidação desde o ano de 2018 devido aos seus inúmeramentos públicos.
Fonte: A TARDE