A decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o território brasileiro após a derrota nas eleições presidenciais gerou insatisfação entre correligionários do partido em Brasília. A informação foi compartilhada pelo jornalista Diego Amorim, vinculado ao portal PlatôBR, durante conversa com a Rádio Metropole nesta quarta-feira.
Amorim revelou que membros da legenda foram pegos de surpresa com a viagem do senador. De acordo com o profissional de imprensa, aliados passaram a debater como poderiam beneficiar-se politicamente da estada do parlamentar em território americano. "Não era para ele ter viajado, na minha opinião. Já que foi, que ele aproveite a estadia para exercer pressão sobre o governo Lula e sobre o Supremo Tribunal Federal", declarou o jornalista, citando avaliações recolhidas com pessoas próximas ao PL.
O profissional de comunicação alertou, contudo, que ainda pairam incertezas sobre quem estava ciente da saída com antecedência. Na sua visão, uma operação desse porte dificilmente seria organizada de última hora, considerando a quantidade de pessoas e variáveis envolvidas. "Agora, será que o Valdemar Costa Neto não sabia? E o Rogério Marinho, responsável pela coordenação da campanha de Flávio, também não tinha conhecimento? Aí fica um pouco mais complicado, não é?", questionou.
O repórter lembrou ainda os fatos que antecederam a partida do senador. Declarções do irmão dele, Eduardo Bolsonaro, recomendando que abandonasse o país em caso de derrota eleitoral acenderam um alerta na Polícia Federal. Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva pelo Partido dos Trabalhadores, o órgão solicitou ao Supremo Tribunal Federal a apreensão dos passaportes de Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes concedeu a autorização, diante do risco de fuga do território nacional. Mesmo após declarar publicamente que permaneceria no Brasil, o parlamentar seguiu para os Estados Unidos.
Amorim também colocou em xeque a relação entre a determinação judicial e a saída: "Flávio saiu porque Moraes ordenou a apreensão do passaporte ou o ministro determinou a apreensão porque os elementos já coletados pela Polícia Federal eram suficientemente consistentes?"
O jornalista afirmou que ainda falta clareza sobre eventuais apoios que Bolsonaro teria recebido para chegar aos Estados Unidos. Mencionou possíveis articulações com o presidente americano Donald Trump e o mandatário argentino Javier Milei, mas ressalvou que é necessário investigar como essa eventual colaboração teria funcionado.
Outro aspecto discutido foi a carta publicada pelo senador em solo americano, na qual declarava ser "o verdadeiro presidente eleito". Amorim informou que a afirmação provocou reações irônicas entre políticos da capital federal. Na avaliação dele, o episódio pode intensificar a pressão de grupos alinhados ao bolsonarismo sobre o governo Lula e o Supremo nos próximos períodos. O profissional adiantou que alguns apoiadores já avaliam possíveis ações contra Alexandre de Moraes nos Estados Unidos.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1