O ministro Alexandre de Moraes, da mais alta corte judicial do país, esclareceu que a restrição imposta a Flavio Bolsonaro impedindo-o de deixar o território nacional representava um desdobramento natural da decisão anterior de cancelar e apreender seus passaportes. O magistrado justificou a medida citando a existência de um "risco efetivo de fuga do país".
A decisão foi tomada após a Polícia Federal ter solicitado formalmente a coleta dos documentos de viagem do parlamentar. O posicionamento do ministro foi registrado em documento oficial assinado na segunda-feira, dias após o senador amargurar derrota no processo eleitoral presidencial. No mesmo período, Flavio Bolsonaro manifestou-se contrariamente à determinação judicial e declarou que não abandonaria o território brasileiro, porém acabou deixando o país antes de cumprir o prazo de vinte e quatro horas estabelecido pelo tribunal para a devolução dos passaportes.
As autoridades policiais agora apuram os detalhes da viagem realizada pelo congressista. Em seu despacho, Moraes defendeu que as medidas protetivas adotadas mostravam-se indispensáveis e equilibradas, sendo menos severas que uma prisão temporária, porém adequadas para preservar a ordem social e garantir o andamento regular do processo judicial.
As referidas medidas estão vinculadas a um inquérito que investiga eventual participação do senador e do advogado Willer Tomaz em esquemas de ocultação de recursos financeiros. Ambos rejeitam qualquer tipo de irregularidade. Tomaz encontra-se nos Estados Unidos desde agosto de 2026, quando partiu do Brasil após ser investigado na Operação Sem Desconto.
Para requerer as restrições, a corporação policial apresentou três elementos que demonstravam probabilidade de fuga: pronunciamentos públicos de Eduardo Bolsonaro sugerindo que o irmão emigrasse, a capacidade financeira de Flavio Bolsonaro e a presença de estruturas organizadas no exterior que possibilitariam sua permanência por período prolongado.
A investigação também examina a suspeita de que recursos provenientes do ex-banqueiro Daniel Vorcaro tenham financiado a estrutura mantida por Eduardo Bolsonaro no território estadounidense, onde o ex-deputado reside desde fevereiro de 2025. As autoridades ainda analisam o destino de valores transferidos por Vorcaro, intermediados pelo operador financeiro Antonio Freixo, sem descartar que parte desses valores possa ter sido destinada às despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1