A executiva nacional do Partido dos Trabalhadores protocolou nesta quarta-feira, dia 2, um pedido de cassação do mandato do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, junto ao Conselho de Ética do Senado Federal. A ação foi assinada pelo presidente da legenda, Edinho Silva, e sustenta que o parlamentar quebrou o decoro esperado de um congressista.
Na representação, os advogados do PT argumentam que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou versões desencontradas sobre seus contatos com Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master, além de incoerências a respeito dos recursos utilizados para a produção cinematográfica "Dark Horse", que narra a trajetória do ex-chefe do Executivo federal.
O partido esclareceu que não pretende que o Conselho de Ética investigue eventuais ilegalidades penais ligadas ao financiamento da obra audiovisuil. A legenda defende que o órgão deve analisar exclusivamente a postura institucional do senator, cabendo ao Poder Judiciário eventual julgamento sobre crimes.
A movimentação política aconteceu logo após a divulgação de uma gravação na qual Flavinho Bolsonaro aparece solicitando a quantia de R$ 134 milhões a Vorcaro. Conforme publicado, o valor de US$ 1,6 milhão, o que equivale a mais de R$ 8 milhões segundo a cotação atual, foi depositado no fundo Havengate, estrutura responsável pela administração financeira do projeto cinematográfico.
O PT pointed out que as tratativas sobre a produção audiovisual prosseguiram mesmo após as investigações sobre as irregularidades do Banco Master serem amplamente noticiadas pela imprensa.
Nas alegações apresentadas ao colegiado, o partido ainda contestou uma declaração do senator em entrevista à GloboNews, quando Flavinho afirmou que o último repasse de Vorcaro para o filme havia ocorrido em maio de 2025. Reportagem da Piauí revelou, contudo, que um novo pagamento foi efetuado em setembro do mesmo ano.
A representação argumenta que o emprego da influência inerente ao cargo público em negociações milionárias do setor privado, somado a declarações divergentes de documentos tornados públicos, configura transgressão às normas de conduta parlamentar.
O pedido será examinado respeitando o regimento interno do Conselho de Ética. O presidente da comissão, senator Jayme Campos, caberá a análise dos requisitos formais, incluindo prazos regimentais, consistência das provas e solidez da argumentação jurídica.
Caso o pedido seja aceito, a solicitação será transformada em representação oficial. Após a escolha do relator, o senator indiciado será oficialmente comunicado e terá o prazo de dez dias úteis para apresentar defesa escrita, indicar até cinco testemunhas e anexar documentos pertinentes.
Fonte: A TARDE