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Pirenópolis: a cidade goiana que preserva o legado do ouro, 80 quedas d’água e uma tradição que atravessa dois séculos

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Fonte: A TARDE
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Em pleno coração de Goiás, Pirenópolis surge como um destino que consegue uni dois mundos aparentemente distantes: o peso da história colonial e a exuberância da natureza do cerrado. A poucos quilômetros de Brasília e Goiânia, a cidade carrega em suas ruas de pedra e em cada cachoeira dos arredores vestígios de uma trajetória que começou há quase trezentos anos.

Fundada em 1727 por garimpeiros liderados por Manoel Rodrigues Tomás, a cidade teve sua origem às margens do Rio das Almas durante o ciclo do ouro. A exploração do metal precioso mobilizou trabalho forçado de pessoas escravizadas e comunidades indígenas, configurando uma história marcada por contradições desde o início. O primeiro arruamento conectou uma pousada ao local de mineração, e o núcleo urbano cresceu ao redor da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, erguida entre 1728 e 1732. Com o passar dos anos, novos templos foram construídos e o povoado se expandiu, mantendo intacta grande parte de sua configuração original.

O conjunto arquitetônico e paisagístico da cidade foi protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1990, reconhecendo o valor de construções que resistiram ao tempo. A Igreja Matriz já havia recebido proteção individual em 1941, mas sofreu um incêndio devastador em 2002 que destruiu boa parte de sua parte interna. A comunidade então se mobilizou em um longo processo de restauração que devolveu ao templo seu esplendor anterior.

A Festa do Divino Espírito Santo, realizada desde 1819 durante o período de Pentecostes, concentra as principais manifestações culturais da cidade por quase trinta dias. O evento reúne folias, novenas, alvoradas e rituais que se estendem tanto pela área urbana quanto pela zona rural. Em 2010, a celebração recebeu o título de Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN, reconhecendo sua importância para a identidade local.

No centro dessa programação, as Cavalhadas ocupam lugar de destaque desde 1826. Cavaleiros caracterizados como mouros e cristãos encenam batalhas medievais durante três dias, reproduzindo conflitos que marcaram a história europeia. A festa também conta com os Mascarados, personagens que usam máscaras representando bois, caveiras e monstros, percorrendo as ruas a pé ou montados e interagindo com o público presente.

Além do patrimônio edificado e das tradições vivas, Pirenópolis é cercada por um verdadeiro tesouro natural. A região reúne mais de oitenta cachoeiras catalogadas, espalhadas por trilhas e estradas de terra que levam a áreas de banho com diferentes níveis de dificuldade. Entre as mais conhecidas estão a Cachoeira do Abade, com vinte e oito metros de queda e um circuito de trilha de dois quilômetros e meio; a Cachoeira Santa Maria, dentro da Reserva Ecológica Vargem Grande, acessível por um percurso de quinhentos metros; e a Cachoeira Bonsucesso, procurada especialmente por famílias que buscam diferentes quedas em um mesmo roteiro.

A gastronomia local reflete a culinária tradicional goiana com ingredientes nativos do cerrado. O empadão goiano, recheado com frango, linguiça, guariroba e queijo, e a galinhada com pequi são pratos que dominam os cardápios dos restaurantes da cidade. Pamonhas salgadas e doces, além de doces artesanais preparados com leite, baru e frutas do cerrado, completam o roteiro alimentar. Para os apreciadores de bebidas artesanais, a Cervejaria Santa Dica e a Cervejaria Casarão produzem rótulos que capturam os sabores da região.

O período entre maio e setembro, durante a estação seca, favorece quem pretende explorar trilhas e cachoeiras com acessos mais complexos. Na época das chuvas, as quedas d'água ganham volume e a vegetação se torna mais intensa, embora algumas estradas de terra possam apresentar dificuldades. A cidade fica a cento e cinquenta quilômetros de Brasília e a cento e vinte quilômetros de Goiânia, com acesso por estradas pavimentadas.

Pirenópolis condensam em um único roteiro múltiplas camadas de história e natureza. No centro histórico, igrejas, casarões e ruas calcadas com pedras quartzíticas preservam o cenário do século XVIII. Ao redor, serras, trilhas e cachoeiras oferecem uma dimensão natural que complementa a experiência. A possibilidade de alternar entre construções antigas, manifestações culturais centenárias e paisagens de Cerrado faz da cidade um destino que atende diferentes interesses em uma única viagem.

Fonte: A TARDE

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