A Prefeitura de Salvador colocou em prática uma estratégia para levar a produção literária diretamente aos estudantes da rede pública municipal. Por meio da Secretaria Municipal de Educação e da Coordenadoria de Educação para as Relações Étnico-Raciais e Diversidade, o projeto leva escritores às escolas com o objetivo de criar um vínculo mais próximo entre os jovens leitores e os autores de livros infantis e infantojuvenis.
O primeiro evento aconteceu na Escola Municipal Mourão Sá, localizada no bairro de Paripe, na última terça-feira. A escritora Regina Luz, que também atua como professora e arte-educadora, esteve presente para conversar com os alunos sobre sua obra "Meu Sonho, Cor do Luar", que aborda temas como ancestralidade, identidade e protagonismo negro. Durante a visita, Regina compartilhou com as crianças detalhes sobre sua trajetória na literatura e seu processo criativo.
Cintia Azevedo, que faz parte da equipe da Coordenadoria de Educação para as Relações Étnico-Raciais e Diversidade, lembrou que muitos estudantes raramente têm a chance de encontrar pessoalmente um escritor. "Frequentemente, os jovens leem os livros, observam as ilustrações e o texto, porém nunca puderam interagir diretamente com o autor", pontuou ela, salientando que a iniciativa pretende preencher essa lacuna.
Para os organizadores da Bienal do Livro Bahia, que ocorre bienalmente na capital baiana, o programa representa uma forma de estender o impacto do evento para além do período de realização. O gerente Guilherme Pecly explicou que os alunos recebem os livros antecipadamente para trabalhá-los em sala de aula antes da visita do escritor. Após o encontro, as escolas participantes ficam com os exemplares doados, formando assim um ciclo completo de aprendizado literário.
O diretor da Escola Municipal Mourão Sá, Lucas Antônio Oliveira, celebrou a iniciativa e destacou que levar a literatura para o ambiente escolar torna a experiência mais significativa para os alunos. "Quando essa vivência ocorre dentro de um espaço onde se sentem confortáveis, como a própria escola, o aprendizado se torna ainda mais marcante", afirmou.
Durante a atividade, um momento especial foi a mediação e contação de histórias conduzida pelo ator e arte-educador Raí Santana, que envolveu os estudantes na narrativa do livro. Entre os presentes, o aluno Gustavo Barbosa, de 11 anos, que cursa o sexto ano, revelou que o encontro o inspirou a sonhar com a carreira de escritor. "Ver alguém que conseguiu expressar seus sentimentos por meio da escrita me faz acreditar que também posso seguir esse caminho", disse o jovem.
Regina Luz é graduada em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia e criou o projeto Curso Luz de Redação. A autora, que começou a publicar ainda aos 18 anos, possui quatro livros voltados para o público infantil e três obras de poesia para jovens e adultos. Para ela, inserir a literatura no cotidiano escolar ajuda a quebrar a percepção de que a leitura é algo penoso. "Quando chegamos à escola de forma lúdica e colorida, com uma narrativa envolvente que também fala sobre identidade e pertencimento, é extraordinário", completou.
A segunda etapa do programa está programada para ocorrer na quarta-feira seguinte, no Colégio Estadual Clarice Santiago dos Santos, no bairro do Arenoso, com a participação do escritor Marcos Cajé. A meta dos organizadores é expandir gradualmente o alcance do projeto, podendo atingir até vinte escolas nas próximas edições.