O crescimento acelerado da inteligência artificial e a expansão de centros de processamento de dados estão abrindo perspectivas promissoras para a mineração de vanádio na Bahia. O mineral, historicamente utilizado na produção de aços especiais e ligas metálicas, agora desponta como componente essencial para baterias de fluxo que armazenam energia em grande escala.
A mineradora canadense Largo, que opera a mina Maracás Menchen no estado, vê nessa tendência uma oportunidade de ampliar significativamente seus mercados consumidores. A avaliação foi compartilhada pelo co-diretor executivo da companhia, Alberto Arias, durante entrevista à imprensa especializada.
Diferentemente das baterias de íons de lítio convencionalmente usadas em dispositivos eletrônicos, as baterias de fluxo de vanádio armazenam energia em soluções líquidas que circulam entre tanques e células eletroquímicas. Essa tecnologia oferece vantagens importantes: permite guardar grandes quantidades de eletricidade por longos períodos, possui vida útil prolongada e apresenta menor risco de incêndio.
Por essas características, o sistema é considerado especialmente adequado para instalações industriais, redes elétricas e data centers, que necessitam de fornecimento contínuo de energia para manter servidores e sistemas de processamento operando sem interrupções. A consultoria imobiliária JLL estima que o mercado brasileiro de centros de dados deve dobrar de tamanho até 2030. O Brasil encerrou o primeiro semestre deste ano com 706 megawatts de capacidade instalada, representando um crescimento superior a seis vezes em relação a 2012, o que equivale a uma taxa composta de expansão anual de 15%.
Além do setor energético, o vanádio desempenha papel fundamental na fabricação de aços de alta resistência e ligas metálicas para as indústrias de defesa e aeroespacial. Em julho, o governo dos Estados Unidos aprovou um financiamento de 60,1 milhões de dólares à mineradora, destinada ao fornecimento de pentóxido de vanádio de alta pureza para a Agência de Logística de Defesa americana, com entregas programadas até janeiro de 2030.
A parceria com o mercado norte-americano também reflete a estratégia de países ocidentais de reduzir sua dependência de fornecedores asiáticos e russos para minerais considerados críticos. Alberto Arias defende maior reconhecimento do vanádio nas políticas públicas voltadas à segurança mineral, considerando sua importância estratégica para diversas cadeias industriais.
Fonte: A TARDE