A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições provocou uma onda de instabilidade nos mercados financeiros brasileiros. Logo após a confirmação do resultado, a B3, principal bolsa de valores do país, foi forçada a acionar o mecanismo de segurança conhecido como circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações quando ocorrem variações abruptas nos preços.
Os contratos futuros do Ibovespa despencaram rapidamente, enquanto a cotação do dólar comercial disparou. No momento da primeira paralisação, a moeda americana já era negociada a R$ 5,42. Quando as atividades foram retomadas, por volta das 10h, o dólar alcançou R$ 5,60, representando uma valorização de 12,2%. Após nova pausa nos negócios, o pregão foi novamente suspenso diante da manutenção dos preços nas máximas.
A queda do principal índice acionário nacional superou 10%, o que também paralisou as negociações de ativos à vista, títulos de renda fixa privada, opções sobre ações, BDRs, ETFs e outros índices, como o IBrX-50 e o Índice Small Cap, por um período de 30 minutos, conforme orientação da B3.
O circuit breaker funciona como um freio de emergência para os mercados. Quando o Ibovespa oscila 10% ou mais para cima ou para baixo, as operações são suspensas por meia hora. Caso a variação atinja 15% após a reabertura, o pregão permanece paralisado por mais 60 minutos. O mecanismo existe desde 1997 e já foi acionado em 23 ocasiões, incluindo durante a crise asiática (1997), a desvalorização do real (1999), a crise do subprime (2008) e a pandemia de Covid-19 (2020).
A turbulência também atingiu o mercado de juros. O Tesouro Nacional comunicou o cancelamento dos leilões de títulos indexados à inflação (NTN-B) e prefixados (LTN e NTN-F) programados para esta semana. Apenas a oferta de LFTs, papéis atrelados à taxa Selic, foi mantida.
No cenário internacional, os ativos brasileiros registraram perdas expressivas. Um fundo de investimento que replica a bolsa brasileira na Bolsa de Nova York despencou 27% nas operações pré-mercado, enquanto um ETF similar no Japão recuou 15%, marcando a maior queda diária desde 2008. Empresas brasileiras com capital na bolsa americana, como XP e Itaú Unibanco, caíram pelo menos 26%, enquanto Santander e Telefónica recuaram mais de 5% na Europa.
Especialistas acreditam que, passada a fase inicial de estresse, os investidores devem voltar atenção às políticas econômicas do novo governo. A expectativa é de que o mercado acompanhe de perto as decisões relativas à política fiscal, os juros reais elevados no país e o diferencial de taxas em relação aos Estados Unidos, além da postura do Banco Central.
Fonte: A TARDE