O empresário do agronegócio Nelson José Vigolo, apontado como um dos maiores contribuidores da campanha de Flávio Bolsonaro durante o segundo turno das eleições, destinou R$ 1,1 milhão ao candidato, conforme documentos eleitorais. O valor coloca o proprietário do Grupo Bom Jesus Agropecuária entre os principais investidores privados da candidatura, que angariou um total de R$ 20,3 milhões em contribuições de pessoas físicas e jurídicas.
Vigolo, conhecido no setor como líder do agronegócio baiano, tornou-se alvo de uma investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia. A suspeita é de que ele esteja envolvido em um suposto esquema de corrupção que atingiu o Poder Judiciário estadual, com foco em disputas por terras na região oeste do estado. A Operação Faroeste, deflagrada para apurar essas irregularidades, denunciou o empresário em 2021.
Além de Vigolo, o Ministério Público também ofereceu denúncia contra o juiz Sérgio Humberto e os advogados Júlio César e Vanderlei Chilante. Segundo a acusação elaborada pela Procuradoria-Geral de Justiça e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais, o grupo suspeito teria oferecido R$ 1 milhão ao magistrado para que ele se declarasse impedido em processos judiciais relacionados aos interesses da Bom Jesus Agropecuária.
No ramo agropecuário, o Grupo Bom Jesus atua no cultivo de grãos como soja, milho e algodão, além de produzir sementes e manter atividades na pecuária, comercialização e logística. A empresa ingressou com um pedido de recuperação judicial em 2016, e acabou sendo accusada de perpetrar uma fraude bilionária nesse processo.
Informações amplamente divulgadas dão conta de que Vigolo teria fechado acordo de colaboração com as autoridades e se comprometido a restituir R$ 20 milhões aos cofres públicos.
Fonte: A TARDE