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Academia supera piscina e se torna prioridade na escolha de moradia pelos brasileiros

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Fonte: A TARDE
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A academia deixou de ser um diferencial secundário nos empreendimentos imobiliários e se tornou um dos principais atrativos na hora de escolher onde viver. Pesquisa realizada pela empresa de inteligência estratégica Brain revela que 52% dos consumidores brasileiros gostariam de ter uma academia na própria residência ou no condomínio onde moram. O índice supera em mais de duas vezes o da piscina, que apareceu citada por 24% dos entrevistados.

O levantamento mostra que os espaços para práticas como yoga e pilates ficam em terceiro lugar, com 14% das menções, seguidos pelas quadras esportivas, com 12%, e pelas áreas destinadas ao treinamento funcional e ao CrossFit, com 9%. A academia também se destaca como o ambiente mais frequentado entre os moradores que utilizam as áreas comuns dos empreendimentos, indicando que o interesse vai além da simples presença do espaço no projeto: essas instalações fazem parte da rotina diária de quem vive nesses locais.

Na Bahia, profissionais que atuam com assessoria esportiva em condomínios relatam transformações significativas tanto na infraestrutura oferecida pelos empreendimentos quanto nos hábitos dos moradores. A possibilidade de praticar atividades físicas sem precisar sair de casa, evitando deslocamentos e permitindo maior acompanhamento da rotina dos filhos, está entre os principais fatores que impulsionam essa demanda.

Fábio Vargas, sócio da empresa de assessoria esportiva Saúde em Forma, atua no segmento desde 2005 ao lado de Diego Fraga. Ele observa que nos últimos dez anos os empreendimentos passaram a investir mais em áreas voltadas à atividade física, incluindo nos imóveis compactos. Segundo Vargas, atualmente até pequenos estúdios contam com piscinas e academias bem equipadas nas áreas comuns dos prédios.

Essa realidade contrasta com o que era encontrado anteriormente em muitos edifícios. O empresário lembra que, mesmo em bairros nobres, era frequente encontrar academias pequenas, instaladas em garagens ou subsolos, sem espaço adequado ou ventilação apropriada.

A ampliação da infraestrutura também abriu novas possibilidades de atendimento dentro dos condomínios. A Saúde em Forma oferece atividades para diferentes faixas etárias, que vão desde natação para bebês e crianças até hidroginástica, pilates, treinamento funcional e aulas de dança. A programação inclui ainda futsal, ginástica rítmica, yoga, beach tennis e futevôlei.

Para Vargas, concentrar essas atividades em um único endereço pode representar economia para as famílias. Ele exemplifica com o caso de uma casa em que os filhos praticam funcional infantil e natação enquanto a mãe participa de aulas de jump e fitdance. Se cada membro da família precisasse frequentar um estabelecimento diferente, seriam necessárias múltiplas mensalidades e deslocamentos.

A disponibilidade de serviços esportivos também passou a influenciar as decisões de compra e locação de imóveis. Muitos clientes buscam orientação antes de escolher entre um condomínio e outro, considerando a infraestrutura esportiva disponível. Esse critério se tornou um fator relevante nas conversas sobre aquisição de imóveis.

A procura por atividades dentro dos condomínios não se limita às academias tradicionais. Quadras e piscinas também são aproveitadas por profissionais que oferecem aulas diretamente aos moradores, com destaque para os serviços voltados ao público infantil.

Raniele Requião, professor de educação física e futsal, trabalha com aulas para crianças há 20 anos em dois condomínios. Ex-jogador profissional, ele afirma que a contratação dentro do próprio residencial atende à busca das famílias por praticidade e segurança, além de favorecer a convivência entre vizinhos.

O trabalho começa aos cinco anos de idade, com exercícios voltados ao desenvolvimento da coordenação motora. A partir dos nove anos, o treinamento passa a enfatizar os fundamentos do futebol. As atividades incluem ainda campeonatos entre as crianças, organizados em pequenas equipes.

Requião destaca que a estrutura esportiva do condomínio pode ser utilizada para estimular a formação de vínculos entre os moradores. A experiência durante a pandemia de Covid-19 reforçou esse papel. Diante do isolamento social das crianças, ele adaptou as aulas para grupos menores e criou protocolos de segurança para manter os treinamentos.

A natação infantil e para bebês também encontrou espaço nesse modelo de atendimento. Fernanda Cordeiro trabalha com aulas em condomínios desde 2019 e relata que a procura aumentou significativamente após a pandemia. Os responsáveis passaram a buscar alternativas que permitissem conciliar as atividades das crianças com os compromissos familiares, sem depender de deslocamentos até academias ou escolas de natação.

Cordeiro conta que começou a atender alunos em condomínios após receber pedidos de famílias que frequentavam a academia onde trabalhava. Nas aulas para bebés, o formato permite um acompanhamento individualizado, diferente das turmas de até dez crianças com as quais trabalhava anteriormente.

A adaptação, porém, exige atenção às características das piscinas residenciais. Como não foram projetadas especificamente para o ensino da natação, a professora utiliza materiais auxiliares para tornar os exercícios adequados às crianças. Em algumas situações, chegou a utilizar cadeiras de plástico dentro da água para ajudar os pequenos a alcançar o fundo e se sentir mais seguros durante determinadas atividades.

Esse movimento acompanha mudanças em outros mercados imobiliários brasileiros, especialmente no segmento de alto padrão. A pesquisa da Brain Inteligência Estratégica indica que 78% dos consumidores consideram que atributos relacionados à saúde e ao bem-estar influenciam positivamente a escolha do imóvel.

Em Santa Catarina, a incorporadora Alumbra firmou parceria com a rede de academias Wave para implantar espaços de ginástica em dois empreendimentos residenciais de luxo: o Brava Green Home Club, em Itajaí, e o Baker's Bay Residence, em Porto Belo. A empresa ficará responsável pelo planejamento dos ambientes, pela aquisição de equipamentos, pela manutenção e pelo suporte técnico, além de disponibilizar instrutores durante cinco anos após a entrega dos edifícios.

O modelo prevê uma operação que vai além da simples instalação de aparelhos. A proposta é integrar a academia ao projeto do empreendimento e manter serviços de suporte e orientação profissional durante os primeiros anos de funcionamento.

Outra frente de investimento envolve as quadras esportivas. Na Bahia, a incorporadora QPC prepara dois empreendimentos que terão quadras de tênis cobertas com padrão internacional. Segundo a empresa, serão as primeiras desse tipo em residenciais privados no estado.

O movimento também aparece nos dados de São Paulo. Levantamento da Brain aponta que a participação de quadras de tênis nos empreendimentos de luxo e altíssimo padrão paulistanos passou de 22% para 38% entre 2023 e 2025.

Para Marcelo Castro Lima, sócio-diretor da QPC, a valorização do tempo e das experiências compartilhadas têm alterado a forma como os consumidores avaliam os espaços residenciais. A presença de estruturas esportivas, nesse contexto, integra a estratégia das incorporadoras para atender às expectativas de quem deseja praticar atividades físicas perto de casa.

Fonte: A TARDE

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