Mais de quinhentos estudantes, egressos, servidores e pesquisadores brasileiros vinculados a universidades britânicas de prestigio, incluindo as conceituadas Oxford e Cambridge, subscreveram um manifesto no qual advertem que a eventual conquista da presidency da Republica por Flavio Bolsonaro configuraria um perigo concreto para o sistema democratico brasileiro.
O documento reune assinantes de trajetorias e orientacoes politicas diversas, entre os quais se encontram algumas figuras proximas ao atual governo e candidato a releicao Luiz Inacio Lula da Silva. E o caso da parlamentar recem-empossada Leany Lemos, ex-secretaria de Planejamento, e da procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Ruas de Almeida, ambas com formacao em Oxford. A lista ainda conta com cientista como a carioca Erika Berenguer e a neurocientista Beatriz Arruda, uma das organizadoras da iniciativa, que declara nao possuir vinculo partidario.
O texto afirma que o elemento unificador dos signatarios nao reside na politics partidaria, mas no compromisso com o avanco social, cultural, cientifico e tecnologico do pais, bem como na conviccao de que a democracia, a ciencia, a arte, a educacao, os direitos humanos e o Estado Democratico de Direito constituem pilares fundamentais que precisam ser preservados contra as investidas sistemicas da extrema-direita.
O manifesto tambem destaca que Flavio Bolsonaro e filho e herdeiro politico de Jair Bolsonaro, gesto cujo governo promoveu ataques reiterados, desmonte e corte drastico de verbas destinado a educacao, as artes, a cultura, a ciencia e aos institutos de pesquisa. O documento ademais alerta que, diante do cenenario posterior ao primeiro turno, com um Parlamento mais favoravel a oposicao, a perspectiva de escolha de quatro novos ministros para o Supremo Tribunal Federal intensificaria os riscos que, na visao desse grupo, a candidatura representaria para a democracia.
Os pesquisadores sustentam que nao consideram Flavio Bolsonaro uma alternativa viavel, pois seu projeto politico, compromissado com a perpetuacao do legado paterno, põe em xeque o Estado Democratico de Direito ao debilitar instituicoes, naturalizar praticas autoritarias, hostilizar universidades, a imprensa, mulheres, minorias e populacoes vulneraveis, alem de colocar em xeque a propria integridade do processo eleitoral.
Fonte: A TARDE