A Organização das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira uma resolução que solicita a suspensão do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. O resultado da votação foi de cento e trinta votos favoráveis, dezessete contrários e vinte e cinco abstenções, representando o menor nível de adesão desde mil novecentos e noventa e cinco.
O Brasil esteve entre os países que apoiaram o texto, repetindo uma posição mantida na maioria das votações anteriores, com exceção do período em que o país foi dirigido por Jair Bolsonaro, quando houve voto contrário em dois mil e dezenove e abstenções em dois mil e vinte e um e dois mil e vinte e dois.
A votação ocorre após uma intensa mobilização da administração de Donald Trump, que organizou um ato na sede da Organização em Nova York com ex-presos políticos cubanos, buscando convencer aliados de que as dificuldades enfrentadas pela população cubana não são causadas pelo embargo americano. A estratégia diplomática americana marcou uma mudança em relação às gestões anteriores.
O representante brasileiro na Organização das Nações Unidas, Sergio Danese, destacou durante a discussão que relatórios de agências independentes da entidade demonstram que o bloqueio dificulta a chegada de ajuda humanitária ao país caribenho. O diplomata também criticou os efeitos extraterritoriais da legislação americana sobre outras nações e a permanência de Cuba na relação de estados patrocinadores do terrorismo.
O debate foi marcado por confrontos verbais entre o representante norte-americano, Mike Waltz, e o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla. A delegação cubana tentou interromper a fala do representante dos Estados Unidos, acusando-o de difamar a ilha, mas Waltz seguiu com sua intervenção, afirmando que não seria silenciado e que era tratado como os oponentes são tratados em Cuba.
Na América Latina, Argentina, Colômbia, Paraguai, Equador e Costa Rica votaram contra a resolução. Chile, República Dominicana, Honduras e Peru preferiram a abstenção. Além do Brasil, México, Uruguai, Nicarágua e Panamá apoiaram o texto.
O embargo americano a Cuba está em vigor há mais de sessenta anos, desde que o presidente John F. Kennedy o implantou, em mil novecentos e sessenta e dois. Ao longo das décadas, as sanções foram endurecidas ou aliviadas conforme o estado das relações diplomáticas entre os dois países.
No segundo mandato de Trump, as medidas restritivas foram intensificadas, incluindo processos judiciais contra autoridades cubanas, como Raúl Castro, e um bloqueio praticamente total das importações de petróleo para a ilha. O governo norte-americano sustenta que Cuba representa uma ameaça à segurança regional devido às suas alegadas alianças com China, Irã e Rússia.
Esta foi a trigésima quarta vez que a Organização das Nações Unidas aprovou uma resolução pedindo o fim do bloqueio. No entanto, as decisões da assembleia não têm força obrigatória, o que significa que os Estados Unidos não são obrigados a cumprir a determinação e o embargo permanece vigente.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1