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Checagem de fatos em debates presidenciais: especialista explica metodologia e desafios da batalha contra mentiras

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Fonte: Últimas Notícias - Metro 1
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Em entrevista ao Jornal da Cidade, Marcela Duarte, repórter da agência de checagem Aos Fatos, revelou os bastidores do trabalho de verificação de informações durante os debates presidenciais. A profissional detalhou como a equipe atua para identificar declarações falsas ou distorcidas pronunciadas pelos candidatos.

A Aos Fatos é uma agência de checagem que faz parte da Rede Internacional de Checadores. Segundo Marcela, a instituição segue um código rigoroso de princípios estabelecido pela Rede Europeia de Padrões de Verificação de Fatos. “Somos submetidos a uma auditoria anual onde precisamos comprovar que uma série de regras estão sendo seguidas, como a ausência de qualquer filiação partidária”, explicou a jornalista.

Para classificar as informações analisadas, a equipe utiliza três categorias principais: verdadeiro, falso e não é bem assim. No entanto, Marcela esclareceu que nem todos os pronunciamentos são verificados. “Tentamos interferir no debate público o mínimo possível, apenas quando realmente existe um risco concreto. Por isso, não checamos todos os debates. Opiniões e previsões sobre o futuro, por exemplo, não fazem parte do nosso trabalho de verificação”, afirmou.

A repórter revelou que a decisão sobre o que será checado obedece a um critério específico: identificar o que está provocando maior repercussão e ruído nas redes sociais. Durante a cobertura dos debates presidenciais, a equipe emprega uma ferramenta de inteligência artificial chamada Scribba, responsável pela transcrição em tempo real. “Transcrevemos o conteúdo e, sobre essa base, vamos marcando as frases que podem ser verificadas e conferindo o que já existe no nosso banco de dados”, descreveu Marcela.

Apesar do auxílio tecnológico, toda verificação passa por um rigoroso controle humano. Após ser redigida por um repórter, a checagem é revisada por dois editores adicionais. “O conteúdo só é publicado após passar por no mínimo três pessoas. Antes de ir para as redes sociais, passa por pelo menos cinco revisões”, detalhou a jornalista.

Marcela defendeu a importância da rapidez na desmentir informações falsas. “O conteúdo que espalha desinformação pode ganhar força rapidamente, por isso precisamos tentar conter ao máximo o seu alcance. Ele gera engajamento porque muitas vezes a desinformação possui um vínculo emocional, algo que as pessoas desejam ouvir ou que desperta indignação”, exemplificou.

Sobre a possibilidade de estabelecer um placar entre candidatos para determinar quem mentiu mais, a repórter foi categórica. “É impossível fazer essa comparação. Podemos ter um candidato com 10 informações falsas porque errou números ou exaggerou dados, enquanto outro candidato teve apenas 5 falsidades, porém com narrativas que ameaçam a democracia, por exemplo. Trata-se de uma falsa igualdade. As coisas possuem nuances, por isso nos concentramos em análises qualitativas, não quantitativas”, completou.

Além das checagens em tempo real, a Aos Fatos também publica reportagens explicativas sobre temas relevantes do debate público, buscando contribuir para a formação de opinião informada dos cidadãos.

Fonte: Últimas Notícias – Metro 1

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