Os profissionais de entregas por moto na Bahia demonstram apreensão diante da possibilidade de uma nova gestão de orientação conservadora no país. A preocupação foi compartilhada por André Vieira, vice-presidente da Associação dos Motoentregadores da Bahia, em entrevista concedida ao Metropole Mais nesta quinta-feira (14).
Segundo Vieira, o mandato de Jair Bolsonaro foi marcado por quatro anos consecutivos de manifestações nas ruas, com profissionais reivindicando melhores condições de trabalho. Ele lembra que o governo anterior recebeu representantes da categoria em Brasília para apresentar suas principais reivindicações.
Entre as principais bandeiras da classe neste momento, destaca-se a luta por uma taxa mínima de dez reais para percursos de até quatro quilômetros, acompanhada de valores adicionais conforme a distância e o tempo de espera. O dirigente pontuou que, atualmente, a taxa-base praticada pelas principais plataformas é de três reais e cinquenta centavos, tanto pelo aplicativo 99pop quanto pelo iFood. Ele também criticou a prática conhecida como "semana turbinada", quando as empresas reduzem os valores cobrados aos clientes com a promessa de compensação pela maior volume de entregas, promessa que, segundo ele, não se concretiza.
Vieira afirmou que houve uma transformação significativa na forma como as entregas são realizadas ao longo dos anos, com um aumento expressivo no número de profissionais cadastrados em plataformas digitais. Para ele, apesar da praticidade proporcionada pela tecnologia, é fundamental que ela esteja a serviço dos trabalhadores e não apenas dos interesses econômicos das empresas.
O entrevistado enfatizou que é necessário analisar a história para compreender os rumos futuros, e que, independentemente de qual candidato vença as eleições, a categoria precisa ser reconhecida e contemplada com políticas adequadas.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1