Médicos do Hospital Mater Dei Emec, localizado em Feira de Santana, estão destacando a intervenção cirúrgica como uma alternativa eficiente para pacientes diagnosticadas com endometriose. Em conversa com o Metropole Saúde nesta sexta-feira (16), o cirurgião Dr. Joaquim Paulo e o coordenador de ginecologia e obstetrícia, Dr. Francisco Mota, detalharam como funciona o procedimento e em quais situações ele é recomendado.
De acordo com Dr. Francisco Mota, o útero é composto por três camadas distintas, sendo a mais interna denominada endométrio. Quando essa camada se desprende e é eliminada pelo corpo, ocorre o que conhecemos como menstruação. Em caso de fecundação, é justamente no endométrio que o óvulo se implanta. "Quando essa camada está presente em regiões onde não deveria existir, denominamos essa condição de endometriose", esclareceu o médico.
O especialista explicou ainda que não existe uma faixa etária mínima para o surgimento da doença, embora ela seja mais frequente em mulheres com mais de trinta anos. Adolescentas e jovens adultas também podem ser afetadas. "A endometriose é uma condição hormônio-dependente, ou seja, é estimulada pelos níveis de estrogênio no organismo. Por esse motivo, ela tende a cessar naturalmente com a chegada da menopausa, quando há redução significativa desse hormônio", completou Mota.
Os profissionais informaram que a doença pode se manifestar em regiões fora da pelve. Há registros de tecidos semelhantes ao endométrio no reto, no intestino e, em casos bastante incomuns, no diafragma, músculo que separa o tórax do abdômen.
Sobre a indicação cirúrgica, os médicos afirmaram que a decisão depende do quadro clínico e da vontade da paciente. Dr. Francisco Mota detalhou que o primeiro passo sempre ocorre no consultório do ginecologista. "Caso o tratamento clínico não apresente resultados satisfatórios, o profissional pode realizar a intervenção cirúrgica", explicou. Dr. Joaquim Paulo completou que, quando há comprometimento de outros órgãos, especialistas de diferentes áreas podem participar do procedimento.
Em situações específicas, como quando a paciente deseja engravidar, o tratamento clínico nem sempre é a primeira opção. Regarding dietary aspects, Dr. Francisco Mota mencionou que algumas pacientes relataram melhora das dores ao adotarem alimentação menos inflamatória, com redução do consumo de glúten e lactose, embora ainda não existam evidências científicas conclusivas sobre essa relação.
No que diz respeito aos riscos pós-operatórios, Dr. Joaquim Paulo alertou que a trombose é a principal preocupação. No entanto, uma alta hospitalar ágil e a retomada de atividades leves do dia a dia contribuem para minimizar esse perigo. O médico fez questão de ressaltar que a atividade sexual só deve ser retomada após, no mínimo, quarenta e cinco dias da cirurgia, pois a parede do útero encontra-se frágil nesse período e poderia ocorrer ruptura.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1