Uma mulher de 50 anos, que pediu para não ser identificada, acusações graves contra a organização de uma ocupação residencial no bairro de Pituaçu, em Salvador. De acordo com seu relato, uma líder identificada como Alessandra Rosa dos Santos, ligada à Frente Nacional de Luta Campo e Cidade, passou a exigir o pagamento de cem reais mensais de cada ocupante do Infinity Ecologic Residence, um prédio ainda em construção na Rua Marquês de Queluz.
Segundo a denunciante, Alessandra prometia que a ocupação facilitaria a conquista de moradia própria. No entanto, após a entrada de aproximadamente cem pessoas no imóvel, a líder começou a cobrar a taxa e a expulsar aqueles que não tinham condições de pagar. "Ela foi retirando as pessoas que não conseguiram pagar. Agora, praticamente está vendendo os espaços. Quem entrega o dinheiro, continua morando lá. É como se fosse um aluguel", explicou a ex-moradora.
A mulher afirmou que foi expulsada após se recusar a contribuir financeiramente e por discordar da condução das atividades na ocupação. Ela revelou que procurou o Ministério Público para registrar a denúncia contra Alessandra. "Minhas coisas ainda estão lá. Não quis retirar por causa do prejuízo e estou aguardando uma resposta do órgão para poder buscar meus pertences", completou.
Um homem de 49 anos, também eliminado da ocupação há cerca de dois meses, corroborou as acusações. Ele informou que Alessandra teria utilizado o nome do Ministério Público para convencer ocupantes a preencherem um formulário de uma associação beneficente chamada Rosa Guia, da qual ela seria coordenadora. "Ela disse que o órgão precisava de documentos, incluindo foto. Eu sabia que não tinha relação com o Ministério Público, mas todos assinaram por medo de perder a moradia", contou.
O Ministério Público da Bahia foi procurado pela-reportagem para verificar se recebeu denúncias ou instaurou algum procedimento de investigação. O órgão ainda não respondeu.
O imóvel foi ocupado no dia 27 de dezembro de 2025. Aproximadamente 92 famílias estavam no local no início. Atualmente, conforme relatado pelos ex-ocupantes, restam cerca de 20 pessoas no prédio. A juíza Alianne Katherine Vasques Santos Morais decidiu, no dia 1º de abril, suspender a reintegração de posse do Infinity Residence, garantindo provisoriamente a permanência dos ocupantes restantes.
A-reportagem tentou contato com Alessandra Rosa dos Santos para que ela pudesse apresentar sua versão sobre as acusações, incluindo as denúncias de cobranças indevidas, expulsões e uso de documentos de entidades vinculadas a ela. Até o momento da publicação, não foi possível obter posicionamento da accusada. O espaço permanece aberto para possíveis manifestações.
Fonte: A TARDE