O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira, 15, uma atuação mais incisiva do governo federal no enfrentamento ao crime organizado e ao tráfico de drogas no Brasil. Durante sabatina, o mandatário criticou a classificação adotada pelos Estados Unidos para grupos terroristas e pontuou as diferenças com relação às facções criminosas que atuam em território brasileiro, como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.
Na avaliação do presidente, as organizações criminosas brasileiras exercem influência violenta sobre comunidades e bairros em todo o país, porém essa dinâmica não se enquadra no conceito de terrorismo de Estado propagado pelos norte-americanos. Lula enfatizou que os EUA tratam como terrorismo principalmente os atos relacionados a ataques como aqueles praticados contra as torres norte-americanas, enquanto as facções brasileiras têm como único objetivo o lucro financeiro, e não a tomada do poder estatal.
O chefe do Executivo revelou que o Brasil levou aos Estados Unidos uma proposta de cooperação mútua para combater o crime organizado e o narcotráfico, baseada em experiências acumuladas pela Polícia Federal brasileira. O documento entregue ao presidente Donald Trump reúne estratégias e metodologias já testadas no país para enfrentar essas ameaças.
Lula também falou sobre a lei antifacção aprovada no Brasil, que aumenta as penas para membros de organizações criminosas. Segundo o presidente, seu compromisso é garantir tranquilidade, segurança e proteção aos trabalhadores e às comunidades, reservando aos criminosos apenas a prisão como consequência.
O mandatário defendeu o envio da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública justamente para estabelecer de forma clara as responsabilidades da União nesse setor. Lula criticou a situação atual, na qual a Constituição nunca permitiu que o governo federal interferisse na segurança pública, competência exclusiva dos estados, mas manifestou determinação em modificar esse cenário. O objetivo da PEC é definir o papel da União no combate ao crime organizado, já que, segundo ele, os estados não demonstraram competência suficiente para lidar com a questão.
Fonte: A TARDE